Sentimentos, Vida real

Meu primeiro amor

Ah! O amor…o amor é lindo!

Quem poderá dizer que aquele sentimento, tão puro, ingênuo, terno, quase palpável, não era amor?

Eu posso.

Sim, não era amor.

img_como_evitar_enamorarse_rapido_20299_600Eu só tinha 15 anos. Totalmente inexperiente, cheia de dúvidas, incertezas, medos, uma infinidade de porquês????? E só uma certeza…Aquele garoto loiro, de olhos azuis que me roubou meu primeiro beijo de verdade, era o amor da minha vida!

Bom, pelo menos era o que eu achava.

Foi tudo muito mágico naquele dia. Era a festa de 15 anos de uma amiga da escola e pela primeira vez eu ia sair à noite…nossa, eu estava nas nuvens.

Minha primeira festinha, meu primeiro sapato de salto, meu primeiro beijo, aquele garoto lindo, me roubando um beijo e dançando comigo de rosto colado, só podia ser um sonho.

Dentro do meu mundinho de adolescente eu estava quase flutuando, acreditando piamente que aquele era o amor da minha vida, que a gente ia namorar, noivar, casar e ter 4 filhos, todos loiros de olhos azuis.

Na verdade, a primeira etapa se concretizou e nós começamos a namorar.

Durante 6 meses eu parecia que estava dentro de uma bolha de sabão, flutuando, até ela estourar e eu me esborrachar no chão.

Não tenho certeza se esse post deveria se intitular “meu primeiro amor” ou “minha primeira desilusão”.

Óbvio que namorávamos na porta de minha casa, sob a supervisão minuto a minuto de minha avó, que não tirava os olhos de mim, apesar de gostar do rapaz.

Era aquele namoro mão na mão e alguns beijos ultra rápidos, enquanto minha avó não reaparecia.

Mas, para mim era o suficiente. Todos os dias ele ia me ver das 19h às 21h.

Eram as horas mais esperadas dos meus dias.

Certo dia recebi outro convite, para outra festa de 15 anos e estava louca para poder ir com ele, mas tinha um complicado detalhe: ele já tinha 18 anos e como havia comprado um carro, pretendia que eu fosse com ele, de carro claro. Mas ele não lembrou da minha avó e sua marcação cerrada.

Depois de 1 milhão de negativas e de eu verter litros de lágrimas desesperadas, finalmente minha avó permitiu que eu fosse, mas com uma condição: meu primo, que morava do lado da minha casa, deveria ir junto. Isso salvaria minha reputação…..kkkkkkk……imaginem uma garota de 15 anos, indo e voltando sozinha, de carro, com um namorado maior de idade…era um escândalo.

Depois de prometer para meu primo que eu levaria minha vizinha, que ele paquerava, no carro com a gente, finalmente ele topou.

Aí eu respirei aliviada e pensei…o que poderia dar errado? Está tudo perfeito.

Ledo engano. Aquela foi a noite mais traumática da minha adolescência, emocionalmente, sentimentalmente e fisicamente.

Depois de uma festa dançante e de muitos amassos, tal qual a Cinderela, eu tinha que chegar em casa antes da meia noite. Então saímos desabalados pra chegar em casa sem levar sermão.

No caminho aconteceu um acidente. Batemos com o carro e fomos parar num pronto socorro, ele quase cego, a garota do meu primo de perna quebrada, eu com o rosto todo machucado e meu primo ileso.

Depois de ouvir umas 400 horas de sermão, de minha avó, pensei que finalmente teria um pouco de paz e resolvi ir na casa do meu namorado visitá-lo, já que ele estava cheio de pontos no rosto.

Na porta da casa dele, encontrei uma garota tão fofa quanto eu, um pouco mais velha, cerca de 17 ou 18 anos, toda solícita, perguntando como se eu estava bem e em qual dos carros eu estava.

Respondi que estava com meu namorado e naquele momento estava entrando pra visitá-lo.

A garota ficou bege, branca e quase caiu na calçada e eu não entendi o porquê, até ela me dizer que namorava há 3 anos o meu namorado de 6 meses.

Aí foi minha vez de ficar bege, branca e em vez de cair na calçada, caí no choro e queria morrer…

Na verdade eu deveria querer matar, porque o que aquele2018-05-31 18.07.40 idiota de cabelo loiro e olhos azuis fez com nós duas foi uma coisa horrível…ele fez com que nossos sonhos de adolescentes se desmoronassem. Nós duas nos abraçamos, choramos juntas, abrimos o portão e em vez de entrar para visitar o traidor, fomos embora e nunca mais voltamos.

Chegando em casa, depois de chorar litros, descobri, não sei baseada em que, que aquilo não era amor. Foi uma paixonite de adolescente, que custou um pouco a passar, mas quando decidi dar a volta por cima, já estava perdidamente apaixonada por meu vizinho de 27 anos…eu tinha acabado de fazer 17.

Minha avó morreu quando eu tinha 23, mas pensei que ela fosse morrer no dia que soube que eu aceitei namorar com esse cara mais velho.

Mas isso é assunto pra outro post…

Beijos!

Texto: Lila Amaral.

 

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