Sentimentos, Vida real

Meu amigo cabeça ✌

 

Fala galera!

O post de hoje é personalizado.

Vou escrever sobre um cara que virou meu amigo: o André, mas pra mim, ele é  e sempre será o “cabeça“, ou carinhosamente “cabecita“.

Tá, isso seria muito natural, afinal as pessoas ficam amigas, mas, nesse caso específico, as coisas não aconteceram de forma tão comum…foi tudo muito inusitado e o mais legal: muito verdadeiro!

Como nossa amizade começou em trânsito, preciso contar o antes o durante e o depois do “cabeça”.

Em Outubro de 2017, decidi fazer um intercâmbio e viajei pra Irlanda, pra estudar Inglês. Seriam, inicialmente, 8 meses, sujeitos a prorrogação, por mais 8 meses. Já estou na prorrogação.

A viagem foi surreal. Saí de Salvador, na Bahia, numa sexta-feira, às 11:00h com destino a São Paulo, pra pegar o voo Internacional pra Frankfurt. Meu voo era 18:00h, então já deu pra ver que mofei no aeroporto de Guarulhos né?

Pra piorar um pouquinho, o voo pra Frankfurt, atrasou 1h.

Finalmente, embarquei às 19:00h…ufaaa!!!

O voo, pela Lufthansa, apesar de maravilhoso, foi exaustivo…cheguei em Frankfurt 12:00h, do sábado. Nem precisa dizer que eu estava só o pó.

Depois de andar quilômetros dentro do aeroporto de Frankfurt, que é gigantesco, chegou a hora de passar perrengue na imigração…eles acham que todo mundo é terrorista e tem uma bomba na bagagem de mão ou dentro do bolso do casaco. No meu caso, seria na bota, porque tive que tirá-la também…argh!

Depois de me despir e me vestir, saí da imigração e fui para meu portão de embarque, pegar outra conexão, para Dublin, na Irlanda. Detalhe: meu voo era às 17:00h. Outra vez mofei no aeroporto, mas pelo menos em Frankfurt tinha “Pretzel” e “Strudel” nas lanchonetes😍.

Conheci uma brazuca, no aeroporto, que também  ia pra Dublin e ficamos de papo até a hora do voo.

Embarquei pra Dublin, só pra variar, com 1h de atraso…#ninguemmerece

Cheguei em Dublin morta com farofa. Outra vez imigração, mas dessa vez foi facinho!

Minha odisséia não tinha acabado ainda, porque a cidade que escolhi para estudar, Cork, fica a 3h de ônibus de Dublin e depois de milhas e milhas de voo, encarar mais 3h de estrada parecia uma tortura.

Foi no embarque para Cork que ouvi aquela vozinha me perguntando: quer ajuda?

Olhei minhas malas enormes e pensei: estou delirando ou será o fuso horário me deixando zonza!!!

Não era delírio. Era o “cabeça”.

Mal pude crer. É óbvio que aceitei a ajuda dele, para por minhas malas no bagageiro….sem ele eu jamais teria embarcado.

Sentamos juntos, nos apresentamos e descobrimos que iríamos estudar na mesma escola…nossa que alívio, enfim alguém falando minha língua e disposto a me ajudar…Deus existe e Ele me ama.

Fomos pra Cork. Eu tagarelando, tentando falar com meu transfer, que iria me pegar, pra levar até a acomodação e o ” cabeça”, dormindo na poltrona ao lado. Descobri que estava falando sozinha a mais de 10 minutos…coisas do cabeça, que eu ainda não sabia, mas isso iria acontecer muitas vezes…rsrsrsrsrs

Enfim, chegamos em Cork, sábado, 22:30h….parecendo 2 zumbis.

Eu e o cabeça, trocamos número de telefone e marcamos de encontrar no outro dia, domingo, pra dar um rolê e conhecer um pouco a cidade, comprar comida e descobrir onde ficava nossa escola. Como estávamos em acomodações diferentes, marcamos na porta da nossa futura escola (era só olhar no Google maps)….#SQN

Ambos nos perdemos no percurso…detalhe: ele estava a menos de 10 minutos, andando, da acomodação até a escola e eu a menos de 500 metros…duas toupeiras chegariam mais rápido. Depois de 1 hora perdidos, finalmente nos encontramos e fomos finalmente, comer e conhecer a cidade.

Cork além de uma cidade pequena é facílima de andar, mas sabe Deus como, conseguimos a proeza de nos perder de novo, na volta pra casa…..rsrsrs.

No primeiro dia de aula, encontrei o cabeça e já socializamos. Papo daqui, papo de lá, parecia que a gente já se conhecia a séculos. Comecei a acreditar em alma gêmea, mas mudei de ideia em menos de 24 horas…o cabeça é meio ogro (sendo bem generosa), mas, meu Santo deu com o dele, apesar de sermos tão diferentes. Aí conhecemos uma galera, que viria a ser a “nossa turminha”, aqui na Ilha Esmeralda. Foram muitos momentos legais e inesquecíveis( olha o mosaico lá no topo).

Depois da segunda semana, começamos a procurar acomodação definitiva e novamente, passamos alguns perrengues. A gente viu cada lugar bizarro pra alugar e em EURO!!!!! Quase piramos, mas sempre estávamos dando força um pro outro, desabafando nossas inquietações, nossos medos e planos futuros.

O cabeça começou a dividir um apê com o Fábio, e quis o destino que a gente morasse no mesmo prédio. Eles no 2° andar e eu no 1°.

Aí é que realmente nos tornamos amigos de verdade e pra toda a vida (fiquei emocionada quando ele me disse isso). Foi a segunda vez que choramos juntos….kkkkkkk….descobri que o cabeça é um chorão. A primeira vez, foi na festinha de aniversário surpresa que fiz pra ele e todos os nossos friends vieram…foi lindo! O cabeça parecia um bezerro desmamado.

Todos os dias, depois da escola, a gente sentava pra estudar e quando ia anoitecendo, a gente já pensava na janta. Ou melhor, eu e o Fábio pensávamos na janta, porque as comidas do cabeça, só Jesus na causa…era só gororoba…ecaaaaa!

Comidas à parte, decidi trabalhar. O cabeça já tinha arrumado trabalho e eu queria ganhar em Euro (€), porque é bom demais.

Acabei indo trabalhar no mesmo lugar que ele. Ele indicou a mim e outras garotas que são nossas amigas em comum e descobri outra característica dele. Ele sempre está disposto a ajudar o próximo. Que fofo.

Nós vivemos de tudo um pouco: o furacão Ophelia, o frio de Dezembro e Janeiro, que foi surreal, pelo menos pra mim, que sou baiana e só conhecia sol, calor e temperaturas acima de 25 graus, a tempestade Emma, que deixou Cork branquinha de neve, muita chuva de granizo e os ventos diários que parecem tornados. Socorro!

O cabeça é de Curitiba, Paraná. De todos, ele era quem se queixava mais do frio…vivia embalsamado que nem uma múmia. A gente só conseguia ver os olhos dele…surreal…parecia um velhinho, com sua bolsa de água quente, todo dia na hora de dormir. Eu dei de presente pra ele, uma mantinha de frio e imagina só o que aconteceu? Ele chorou de emoção….esse garoto deve ser de Varginhas, onde o ET apareceu no Brasil.

Nas nossas inúmeras conversas, descobri que ele morou 2 anos na Bahia, adora minha cidade e até fala “oxe”, termo exclusivo do baianês. E foi aí que descobri o Curitibês, que só o cabeça entende. Exemplos:

  • “vina” = salsicha
  • “piá” = menino/garoto/rapaz
  • “capaz” = quando se está em dúvida, tipo: será?
  • “guspe” = cuspe
  • “penal” = estojo de canetas e lápis
  • “gurias” = menina/garota/moça

Enfim, difícil não morrer de rir diariamente com esse piá…kkkkkk

Foram 8 meses de venturas, desventuras, perrengues, tristezas, alegrias, saudades, choro, riso, passeios, trabalho, cansaço, muitas gripes, muita sopa, chá de limão com gengibre, mercados, brechós, missas, viagens, muitas loucuras….mas, sempre juntos.

Depois de mudar de ideia pelo menos umas 400 vezes, entre voltar pro Brasil ou renovar o visto por mais 8 meses, finalmente, na véspera da passagem vencer, o cabeça decidiu voltar pro Brasil…..ô garoto indeciso…..misericórdia.

Fizemos uma noite de despedida com nossos amigos e nosso vizinho Irish, o “Amezing” (apelido carinhoso que coloquei no Thomas Declan) e claro que o cabeça se debulhou em lágrimas.

No dia da viagem, eu que todo dia batia o ponto no apê dos meninos, não consegui aparecer. Já estava com saudade antecipada e o coração partido.

Não adiantou, porque o cabeça apareceu no meu apartamento. Foi me dar meu presente de aniversário, que é no final de Julho, alegando que não estaria aqui….resumo: choramos horrores.

Subimos pra preparar a última jantinha pro meu best friend.

Quando o táxi chegou pra levar o cabecita, eu e o Fábio descemos para nos despedir….foi outro chororô. O motorista do táxi teve que consolar o cabeça, porque ele chorou o percurso todo….fala sério!

Fui pra casa e por alguns dias fiquei bem caidinha….saudades do meu amigo.

Hoje o cabeça está em Curitiba. Já encontrou a família, a namorada, os amigos, foi no jogo do coxa (ô timinho ruim), mas continuamos amigos, mesmo a quilômetros de distância.

Nos falamos por telefone e wattsap. Eu não acreditava que isso seria possível, porque o cabeça é um ET virtual. Ele não tem Instagram, não tem Facebook, sua conta no LinkedIn tem séculos desatualizada e alguns grupos do wattsap chegam a 39.000 mensagens não lidas. Esse grupo eu obrigue ele a apagar.

Eu achei que receberia um pombo correio, de tanto que ele demora pra responder, mas ele tá melhorando gente.

Eu fiz esse post, porque hoje a gente conversou muito pelo wattsap e eu tive uma crise de riso com ele.

Ele não conhece nada de linguagem de internet e eu escrevi no final da conversa: Tmj e aí veio a perguntinha: cabeça o que é Tmj? Eu respondi que era tamo junto.

Aí ele entendeu, mandou um legal e disse que estava com saudades e eu respondi: me 2. Aí veio outra perguntinha: cabeça o que é me 2? Eu respondi: é me too (eu também).

Eu ri muito e prometi pra ele fazer um post sobre linguagem de internet e ele prometeu ler e comentar…..kkkkk

Cabeça, se você ler esse post, deixa um curti👍🏻 e seu comentário valeu?

Bom galera é isso….a vida, muitas vezes, nos reserva gratas surpresas e o cabeça foi uma delas.

Cabecita, I❤ u…..quer dizer: I Love you (eu te amo).

Até mais!

Texto: Lila Amaral.

 

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