Sentimentos, Vida real

Amizade

Fala galera!

Esse tema de hoje é algo que me intriga e me fascina, ao mesmo tempo!

A – M – I – Z – A – D – E

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Me intriga porque, pessoas tão distintas, muitas vezes opostas e até divergentes, tornam-se melhores amigos de um momento para o outro.

Me fascina porque é uma escolha nossa e não uma imposição hereditária (tipo família). Amigos você simplesmente escolhe!

Eu acredito em amizade verdadeira.
Acredito no amor entre amigos, em amizade entre homem e mulher, apesar de meu pai um dia ter- me dito: “amizade entre homem e mulher não existe, o que existe é falta de interesse de um dos lados…será?

Eu  tenho amigos homens. Algumas amigas minhas têm amigos homens (heteros) e nunca rolou nada. E tenho amigas, que têm amigos homens (gays), que já sentiram atração, se apaixonaram e até rolou… não sei explicar, mas não podemos prever, nem dominar os sentimentos. 

Acredito que podemos confiar uns nos outros, mas sempre há o perigo de dar aquela escorregada, de dar aquela mancada e desapontar, decepcionar e magoar. Nós somos humanos, falíveis e imperfeitos. E talvez a amizade verdadeira seja aquela que compreende, perdoa e aceita passar adiante.

Não acredito em SEMPRE e NUNCA. São tempos difíceis de cumprir. Dizer que: eu nunca te deixarei na mão… é mentira. Mesmo sem querer, uma hora vamos falhar, talvez porque estejamos precisando de uma mão naquele momento e não temos como estender a nossa ou simplesmente porque precisamos ficar só naquele momento.

Dizer que sempre estaremos presentes, pode não ser possível, mesmo que estejamos em pensamento e espírito, muitas vezes a distância não é opcional e sim um fato concreto ou uma necessidade.

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Já vi amizades acabarem, mas isso não quer dizer que não foram verdadeiras… acredito que tudo tem um fim ou um desfecho diferente do que imaginamos. É o ciclo da vida, o momento de cada um e muitas vezes, perspectivas e rotas diferentes.

Caminhos se cruzam, mas caminhos se bifurcam e muitas vezes cada um vai numa direção diferente, mas isso não quer dizer que a amizade acabou ou que não haja sentimento.

Acredito que nada é por acaso. Entramos  ou saímos da vida do outro por um motivo e muitas vezes desconhecemos o verdadeiro teor.

Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, “A Identidade”, que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos.
Mas isso não quer dizer que temos que ser o escudo dos nossos amigos. Cada um tem que ser responsável por aquilo que cativa, já dizia o Pequeno Príncipe.

Ser parceiros, companheiros, livres, reais, verdadeiros para dizer sim ou não, para dizer as verdades que nosso amigo não quer enxergar, nem ouvir. Chamar à razão, quando nosso amigo pirar, surtar, perder o controle. Entender que opinião divergente não é falta de respeito e consideração. Aturar as chatices, as esquisitices e manias do outro, sem se deixar invadir. Se permitir ser autêntico, sem fingimento, sem ter que ficar pisando em ovos ( eu odeio pisar em ovos).

Ser amigo, na minha opinião é poder ser você mesmo. E não somos perfeitos. Acho que a maturidade as vezes ajuda a entender esse contexto.

Eu tenho amigos de longas datas. Verdadeiros, muito próximos, não tão próximos, amigos de infância, de internet, de viagens, de uma vida e de uma semana, mas não fico cobrando o que as vezes o outro não tem para oferecer e não quero ser cobrada por aquilo que talvez eu não possa dar.

Aprendi a aceitar o outro, como ele é.

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Isso é que acho legal! Essa liberdade!

Cobranças…acabam com qualquer relação…até uma verdadeira amizade, mas isso não quer dizer que não existe amor, gratidão e perdão.

Para você, com carinho
Vinícius de Moraes

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade
que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite
que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem
intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido
todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os
meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o
quanto minha vida depende de suas existências …
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer
o quanto gosto deles.Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão
incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não
declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de
como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu
equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu,
tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto
pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida
ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma
lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer …

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da
vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando
comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e,
principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que
são meus amigos!

Pensemos nisso!

Até o próximo post!