Hoje é dia de?

Dia do Sorvete

Desde 2003, o dia 23 de setembro não é mais somente o início da primavera: é o Dia Nacional do Sorvete, data instituída pela ABIS – Associação Brasileira das Indústrias de Sorvetes, com o objetivo de estimular o consumo de sorvete, valorizando a composição nutricional do produto e os seus benefícios. Essa celebração marca o início das temperaturas mais quentes do ano no País, época que normalmente é mais acentuado o consumo de sorvetes.

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A história do Sorvete:

Um dos alimentos mais consumidos no planeta, o sorvete, por incrível que pareça, surgiu muito antes da primeira geladeira.

Sua origem é cheia de controvérsias, mas, atribui-se sua autoria aos chineses. Por volta de 1000 a.C,. Eles experimentaram usar flocos de neve para conservar a sobremesa predileta dos nobres, feita de uma pasta de leite de arroz e especiarias e acabou criando uma iguaria refrescante.

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Alguns pesquisadores afirmam que foi Alexandre, o Grande (356-323 a.C.), rei da Macedônia, o introdutor do sorvete na Europa, trazendo do Oriente uma mistura de salada de frutas, embebida em mel, que era guardada em potes de barro enterrados no chão e mantidos frios com a neve do inverno.

Outros pesquisadores atribuem esse feito aos árabes, que teriam aperfeiçoado a receita chinesa com o desenvolvimento da técnica de incorporar a neve ao suco de frutas e ao mel.

Turcos e árabes garantem que “sorvete” é uma palavra de origem árabe, procedente de sharbat, que significa “bebida fresca”.

O fato é que diversos registros comprovam o consumo do sorvete na Antigüidade. Babilônios, egípcios, gregos e romanos deliciaram-se com esta guloseima fria cuja preparação, era complicada e cara, o que fazia do sorvete um prazer para poucos , pois era preciso que trouxessem neve do alto das montanhas e armazenar em buracos na terra, revestidos de madeira onde o gelo era comprimido e coberto com palha para que se conservasse.

Com a decadência da cultura antiga, entretanto, o consumo do sorvete se perdeu no tempo, até o final da Idade Média, época em que volta à cena por obra, dizem alguns historiadores, do mercador veneziano Marco Pólo que, em 1295, teria trazido da China, junto com o macarrão e o arroz, algumas receitas de sorvete à base de água, muito parecido com os atuais.

Outros autores, acreditam que o sorvete tenha chegado à Itália pela Sicília, trazido pelos árabes que dominaram a ilha no século IX.

A partir daí, difundiu-se por toda a Itália, entre a realeza e a aristocracia, que logo adotaram os sorvetes de fruta como um prato de luxo, cujo preparo era considerado uma sofisticada arte.

Pouco tempo depois, chegou à França em 1533, com Catarina de Médici que, ao se casar com o rei francês Henrique II, levou em sua bagagem receitas e chefes de cozinha que lhe serviam, diariamente, sorvetes dos mais diversos sabores de frutas. A neta de Catarina de Médicis casou-se em 1630 com Carlos I da Inglaterra e, segundo a tradição da avó, também introduziu o sorvete entre os ingleses.

Em Portugal, o sorvete chegou durante o período de dominação espanhola (1580-1640) e faziam sucesso as bebidas nevadas, embora fosse difícil e caro trazer neve da Serra da Estrela para a corte em Lisboa. Por volta de 1715, no reinado de D. João V, havia inúmeros fabricantes de sorvete na capital portuguesa.

Em 1550, Blasius Villafranca, físico espanhol radicado na cidade italiana de Florença, descobriu ser mais fácil congelar a mistura de suco de frutas e especiarias juntando salitre à neve (técnica já conhecida dos chineses desde o século 12). Essa descoberta deu origem ao que poderia ser chamada de primeira sorveteira da História.

O leite entra na receita

Segundo a Grande Enciclopedia Illustrata della Gastronomia (Selezione dal Reader’s Digest, Milão, 2000), até meados do século 16, o sorvete continuava a ser preparado com água, ou seja, sem leite ou ovos. Só um século mais tarde, em 1671, na Inglaterra, o leite ou seu creme, ovos e aromatizantes foram incorporados ao sorvete pelo francês DeMirco, pâtissier do rei Carlos II que, diante de uma novidade tão espetacular, tornou ilegal o consumo da iguaria fora da corte real e, para se garantir, até morrer, em 1685, pagou royalties ao chef pela criação, para que esta fosse exclusividade da sua mesa.

Um ano depois, em 1686, o siciliano Francesco Procópio dei Coltelli inaugurava, em Paris, o Café Le Procope, a primeira cafeteria e sorveteria da cidade (que funciona até hoje), tornando o sorvete uma delícia acessível a todos que quisessem e pudessem pagar por ela.

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A primeira sorveteria da Inglaterra foi aberta em 1757, na Berkeley Square, Londres, pelo chef-pâtissier italiano Domenico Negri, com o nome de Pot & Pine Apple.

Em 1768, é publicada na França “A Arte de se Fazer Sobremesas Geladas”, (L´art de bien faire les glaces d´office) . Primeira publicação no Ocidente que revelava receitas e explicações teológicas e filosóficas para o fenômeno do congelamento da água e fabricação de sorvetes. Os árabes num de seus tratados antológicos de cozinha, escrito no século 11, por Wusla Hila al Habib, já dedicava uma seção inteira ao sorvete.

O Sorvete cruza o Atlântico

O sorvete chegou aos Estados Unidos em 1770, levado pelo italiano Giovanni Bosio, e conquistou o paladar dos norte-americanos rapidamente. Lá, a história dos sorvetes ganhou importantes capítulos e o país se transformou no principal produtor e maior consumidor desta iguaria no mundo.

Em 1846, a norte-americana Nancy Johnson inventou um congelador que funcionava com uma manivela que, quando girada manualmente, agitava uma mistura de vários ingredientes. Na parte de baixo, havia uma camada de sal e gelo, que a congelava. Era a precursora das primeiras máquinas industriais de sorvete.

Dois momentos marcaram o desenvolvimento do sorvete nos Estados Unidos e, conseqüentemente, no mundo: o primeiro em 1851, quando o leiteiro chamado Jacob Fussel, para aproveitar o excedente de sua produção de leite, abre em Baltimore a primeira fábrica de sorvetes, produzindo em maior escala e sendo, também, seguido por outros em Washington, Boston e New York; e o segundo, com a invenção, entre 1870 e 1900, da refrigeração mecânica, permitindo a produção de gelo independente do processo natural.

É nesse momento, que o sorvete ganha mais espaço na sociedade, passando de um alimento proibido a uma sobremesa comum, presente no cotidiano de todos.

Foram sorveteiros norte-americanos que, no fim do século 19, criaram três receitas, o sundae, a banana split e o ice cream soda, que fazem sucesso até hoje e são ícones da cultura do país. Em 1904, durante a Feira Mundial de St. Louis, outro acontecimento inusitado resultou na invenção da casquinha. Um sorveteiro, vendo esgotar-se o estoque de pratos, resolveu servir seu produto nos waffles do stand vizinho.

Já o picolé foi inventado em 1905, na Itália, por um menino de 11 anos chamado Frank Epperson, que esqueceu no quintal um copo de refresco com uma colher dentro durante uma noite de inverno. De manhã, ele notou que a bebida e a colher haviam congelado juntas.

Em 1920, um fabricante de Ohio, Harry Burt, pôs a venda o primeiro picolé dos Estados Unidos. No mesmo ano, Christian Kent Nelson lança o Eskimo Pie, o primeiro picolé recoberto de chocolate norte-americano.

Em 1938, J. F. McCullough e seu filho Alex McCullough inventaram um tipo de sorvete mais leve. Eles descobriram que misturando os ingredientes antes do congelamento, o sorvete ficaria muito mais leve e saboroso.

No Brasil

Foram os cariocas os primeiros brasileiros a experimentar a delícia gelada que já fazia sucesso em boa parte do mundo. No dia 23 de agosto de 1834, Lourenço Fallas inaugurava na cidade do Rio de Janeiro, na época da Corte real portuguesa, dois estabelecimentos – um no Largo do Paço e outro na Rua do Ouvidor – especialmente destinados à venda de gelados e sorvetes. Para isso, importou de Boston (EUA), 217 toneladas de gelo, que foram conservados envoltos em serragem e enterrados em grandes covas, mantendo-se por 4 a 5 meses.

Na época, não havia como conservar o sorvete gelado, por isso ele tinha que ser consumido logo após o preparo. Por isso, as sorveterias anunciavam a hora certa de tomá-lo.

Em São Paulo, a primeira notícia de sorvete que se tem registro é de um anúncio no jornal A Província de São Paulo, de 4 de janeiro de 1878, que dizia: “Sorvetes – todos os dias às 15 horas, na Rua direita nº 14”.

No Brasil, antes do sorvete, as mulheres eram proibidas de entrar em bares, cafés, docerias, confeitarias… Para saboreá-lo, praticaram um ato de rebeldia contra a estrutura social vigente, invadindo lugares ocupados até então quase que exclusivamente pelos homens. Por isso, entre nós, o sorvete chegou a ser considerado o precursor do movimento de liberação feminina.

A evolução do sorvete no Brasil, deu-se a passos curtos, de forma artesanal, com uma produção em pequena escala e em poucos locais. A distribuição em escala industrial no País só aconteceu a partir de 1941, quando, nos galpões alugados da falida fábrica de sorvetes Gato Preto, na cidade do Rio de Janeiro, foi fundada a U.S. Harkson do Brasil, a primeira indústria brasileira de sorvete. Seu primeiro lançamento, em 1942, foi o Eski-bon, seguido pelo Chicabon. Dezoito anos mais tarde, a Harkson mudou seu nome para Kibon.

Mesmo sendo um país tropical, o Brasil ainda tem números modestos se comparado com outros países, em torno de 3,1 litros por pessoa a cada ano, menos de um quarto do consumo de alguns países nórdicos, por exemplo, de clima frio, que consomem o produto o ano inteiro.

E aí? Curtiu? Então que tal finalizar com um super Sorvete?

Texto: Lila Amaral.

12 comentários em “Dia do Sorvete”

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