Sentimentos

Medo x fobia

Falar sobre medo é algo muito complexo, tendo em vista a singularidade do ser humano e a infinidade de fatores psicológicos capazes de desencadeá-lo.

Algumas vezes damos nomes diferentes à mesma sensação como: apreensão, preocupação, ansiedade, angústia, mas são termos que podem estar se referindo ao MEDO.

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O medo pode abranger todas as intensidades, desde uma insegurança leve até o terror total.

Muitas vezes chamamos de “bobo” medos que consideramos que não deveríamos ter, medos que assim que são superados vemos que não houve grande dificuldade de enfrentamento, mas porque então estes medos existem e podem nos limitar?

Eu por exemplo, tenho medo de sentir medo, medo de barata, aranha, violência, mas não tenho medo de morrer.

Freud utiliza o termo angústia. A psicanálise trabalha os medos e angústias de forma tanto a entender o porque dos medos como também objetivando sua superação.

Pode-se entender o medo como um sentimento de insegurança em relação a uma pessoa, uma situação ou um objeto.

Eu queria que Freud me explicasse, como uma barata ou uma aranha podem me paralisar???

O medo é pessoal, o que assusta um, pode ser indiferente ao outro. Existem pessoas com medo de espaços abertos que não saem de casa, tem pessoas que sentem muita ansiedade ao entrar num elevador, outros tem medo de tarefas como, por exemplo, organizar um evento, outros tem medo de baratas, avião, ou como no meu caso, tenho pavor de aranhas e baratas. No caso, acho que seria uma fobia, porque existe um termo específico pra isso: aracnofobia.

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Um bom passo na compreensão do medo pode ser perceber que todos os medos surgem da preocupação a respeito do que poderá acontecer em consequência do evento, e não o evento em si.

Eu não consigo nem imaginar a mais remota hipótese de estar no mesmo ambiente que uma aranha ou uma barata. Só de pensar, sinto calafrios, me dá dor de cabeça, sudorese… é surreal.

Quando sentimos medo o corpo se prepara para dois resultados possíveis, enfrentar a situação e lutar, ou fugir. Isso faz o cérebro trabalhar intensamente, o que gera mais adrenalina. A pessoa pode sentir: tremor, enjôo, dores agudas nos braços, pernas e ombros, vertigens,etc…

Engraçado, que mesmo sentindo pavor de aranhas e baratas, meu instinto é de enfrentar. Enquanto eu não conseguir matar, não consigo ficar normal. Fico em alerta, achando que de repente elas vão pular em cima de mim.

Os sentidos são bombardeados com mais informações do que costumam administrar e por isso o cérebro não consegue filtrar tanta informação e se torna super-vigilante, ficando muito mais sensível ao que acontece a sua volta. É o meu caso: fico com uma espécie de radar ligado.

Quando tudo isso acontece em relação a algo que não seja uma ameaça física (ou seja, você não está sendo atacado de fato), mas acontece em relação à uma ameaça emocional, como por exemplo você está com medo de fazer algo, começa uma espiral de terror onde o coração dispara, e acelera a adrenalina, que pode fazer que surjam sintomas, como: sudorese, dores no corpo e várias outros.

As definições dos dicionários explicam que, a palavra medo, significa uma espécie de perturbação diante da ideia de que se está exposto a algum tipo de perigo, que pode ser real ou não. Pode-se entender ainda o medo enquanto um estado de apreensão, de atenção, esperando que algo ruim vá acontecer.

O medo é uma sensação. Essa sensação está ligada a um estado em que o organismo se coloca em alerta, diante de algo que se acredita ser uma ameaça.

Esse estado de alerta é extremamente importante para a sobrevivência humana. Uma pessoa sem medo nenhum pode se expor a situações extremamente perigosas, arriscando a própria vida, sem medir as possíveis consequências de seus atos.

Antes de sentir medo, a pessoa passa pelo estágio da ansiedade, que é uma antecipação do estado de alerta. Entre outras reações fisiológicas em relação ao medo, podemos citar o ressecamento dos lábios, o empalidecimento da pele, as contrações musculares involuntárias como tremedeiras e até vertigens.

Em alguns casos, o organismo reage de forma exagerada ao medo, fazendo com que esse estado de alerta, benéfico em muitos momentos da vida, transforme-se em um estado patológico, quando o medo se transforma em fobia.

fobia é uma antecipação do medo ou da ansiedade. No caso da fobia, o medo não prepara o indivíduo para decidir entre lutar ou fugir, ele paralisa a pessoa impededindo-a que se relacione com o objeto de seu medo.

Agora fiquei confusa! Eu tenho fobia ou medo de aranha e baratas? Porque eu enfrento, então não é fobia????

Não se fala em tratamento para o medo, a não ser nos casos em que ele se torna irracional, como na fobia.

Nesses casos, o tratamento mais conhecido em psicoterapia é a Dessensibilização Sistemática, que consiste numa aproximação sucessiva do sujeito em relação ao seu objeto de pavor.

Por exemplo, se uma pessoa desenvolve fobia em viajar de avião, a técnica propõe exposições que gradualmente se aproximam da viagem, como balançar, olhar para baixo de um andar alto, entrar em um avião estacionado, até que finalmente a pessoa aceite e consiga realizar a viagem.

Não é um tratamento fácil, requer dedicação de paciente e terapeuta, mas mostra resultados bastante significativos. Outros tratamentos são baseados em teorias, como as que propõem a origem do medo ou da fobia em traumas do passado, reais ou imaginários. Nesses casos, quando se consegue compreender o trauma em seus mais diversos significados, os medos tendem a diminuir significativamente. De qualquer forma, qualquer tratamento visa a diminuir a níveis normais ou mais equilibrados a resposta de alerta que o medo gera.

Se é fácil eu não sei, mas não desejo tentar. Não consigo me imaginar tocando numa barata ou numa aranha.

Além das fobias, há uma série de doenças que tem a reação exagerada de alerta como característica predominante, entre elas: O Transtorno de Pânico, o Transtorno de Estresse Pós-Traumático, Anorexia, Bulimia e outros transtornos em que o medo está ligado às mudanças no corpo.

Um aspecto de transtornos de ansiedade pode ser uma tendência a desenvolver um medo do medo. Enquanto a maioria das pessoas tende a experimentar o medo apenas durante uma situação que é percebida como assustadora, aqueles que sofrem de transtornos de ansiedade podem ter medo do que eles vão sentir em uma resposta de medo. Eles percebem suas respostas de medo como negativas, e fazem de tudo para evitar essas respostas.

fobia é uma torção da resposta normal do medo. O medo é direcionado para um objeto ou situação que não apresenta um perigo real. A pessoa reconhece que o medo é irracional, mas não pode evitar a reação. Ao longo do tempo, o medo tende a piorar à medida que o medo da resposta de medo toma conta.

O medo está associado de alguma forma ao sofrimento e à angústia. É até hoje um sentimento comum a todo indivíduo. Tem suas representações e significados singulares e representa parte significativa das queixas em consultórios de psicólogos, psicanalistas e psiquiatras.

São várias as formas de fobia, dentre elas as mais comuns são: as simples e específicas, como medo de elevador, aranhas, assombração, síndrome do pânico, etc…

Além do sofrimento psíquico vivenciado pelo indivíduo fóbico, junto com o medo e a fobia, vem o sofrimento físico, as reações orgânicas e fisiológicas alteradas por conta de um estado de forte emoção e angústia.

Iniciar um processo de análise e terapia para curar-se de medos incapacitantes demonstra ser a melhor alternativa para o equilíbrio da saúde física e mental. O medo e a fobia podem comprometer a capacidade de independência e autonomia do indivíduo que vivencia este estado.

Assista o vídeo da Minha Coen, sobre o medo.

Quem nunca sentiu medo, que atire a primeira pedra!

Referências:

  • Tomlinson, Nicole. In Depth: Psychology. “Fear Factors.” CBC News. October 31, 2007. March 15, 2008.
  • Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde (BVS MS).

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