Arquitetura

Arquitetura Babilônica

A Mesopotâmia já desfrutava de uma longa história antes do surgimento da Babilônia, com a civilização suméria, que surgiu na região c. 3 500 a.C..

A cidade de Babilônia estava localizada ao longo do rio Eufrates no atual Iraque, a cerca de 100 quilômetros ao sul de Bagdá. Foi fundada em 1894 aC pelos povos de língua acádia do sul da Mesopotâmia.

Devido a sua grande importância e esplendor numa região onde floresceram algumas das maiores civilizações da Antiguidade  e ao seu desaparecimento relativamente, precoce, a Babilônia tornou-se um mito.

Período histórico Antiguidade
 • 1 894 a.C. Fundação
 • 539 a.C. Dissolução

Babilônia, foi a cidade central da civilização Babilônica, na Mesopotâmia, situada nas margens do rio Eufrates e costumava envolver-se em rivalidade com o Estado mais antigo: a Assíria,

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Situação geográfica da Babilônia –  Fonte: Wikipedia

O surgimento, dos primeiros núcleos urbanos na região da Mesopotâmia foi possível, em função do desenvolvimento de um complexo sistema hidráulico que, através da construção de diques e canais, armazenava água para a época de secas e evitava inundações, comuns nessa região, por conta do relevo e vazão dos rios Tigres e Eufrates em épocas de cheias. Por ser uma região pantanosa, era difícil construir edifícios, favorecendo o agrupamento de pessoas.

A agricultura de irrigação, era a base da economia e a situação geográfica, bem como a pobreza de matérias primas, favoreceram as atividades mercantis, onde as transações eram feitas à base de trocas.

As necessidades do dia a dia, exigiam um pouco de conhecimento matemático, dando início a um sistema sexagesimal(baseado no número 60), com isso, dividiram o círculo em 360° e criaram medidas de comprimento, superfície e peso.

As cidades eram planejadas com uma planta quadrada, cercadas com muralhas, construídas em barro, contra a invasão de outros povos. As muralhas tinham até 8 metros de espessura e eram estucadas e decoradas com cenas do dia a dia dos reis. As muralhas eram tão grossas que corridas de carruagens eram realizadas sobre elas, segundo relatos do historiador grego Heródoto.

Os povos mesopotâmicos foram grandes trabalhadores de blocos de argila (matéria prima abundante na região), conhecidos como adobe, que permitiam a produção de tijolos compactos, material predominante nas construções, diante da escassez de pedras e madeira.

A entrada principal da cidade da Babilônia chamava-se Portão Ishtar e foi construído com blocos de argila, decorados de azul brilhante, adornados com fotos de touros, dragões e leões.

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Cópia do portão Ishtar em Bagdá

O Portão de Ishtar deu lugar ao grande Caminho processional da cidade, um corredor decorado de 800 metros usado em rituais religiosos para comemorar o Ano Novo. Na Babilônia antiga, o novo ano começava com o equinócio da primavera e marcava o início da temporada agrícola. Foi a oitava porta do lado norte da muralha da cidade, construída aproximadamente em 575 a.C., por ordem do rei Nabucodonosor II, que reinou entre 604 e 562 a.C., no auge do Império Neobabilônico, ele ordenou a construção da porta e dedicou-a à deusa babilônica Ishtar.

Escavada entre os anos de 1902 e 1914, a porta e a Via Processional foram reconstruídas com seus tijolos originais, em 1930, no Museu Pergamon em Berlim.

A Porta de Ishtar tem 14 metros de altura e 30 metros de largura, decorada em alto relevo com os animais sagrados da Babilônia como o Leão de Ishtar, o Touro de Adad.

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Os tijolos da Porta estão cobertos por um esmalte azul destinado a representar o lápis-lazúli, uma pedra semi-preciosa azul-escura que era reverenciada na antiguidade devido à sua vibração.

A Porta de Ishtar é apenas uma pequena parte da planta da antiga Babilônia que também incluía o palácio, templos, uma fortaleza interior, paredes, jardins, outras portas e a Via Processional. A cidade luxuosa foi decorada com mais de 15 milhões de tijolos cozidos e esmaltados.

A inscrição cuneiforme da Porta de Ishtar, em tijolos esmaltados de azul e branco, foi uma dedicação de Nabucodonosor para explicar o propósito da porta. Ela possui 15 metros de altura por 10 metros de largura e inclui 60 linhas de escrita.

“Nabucodonosor, rei da Babilônia, o príncipe piedoso nomeado pela vontade de Marduk, o príncipe sacerdotal mais elevado, amado de Nabu, de deliberação prudente, que aprendeu a abraçar a sabedoria, que entendeu o seu ser piedoso (Marduk e Nabu) e presta reverência a Sua Majestade, incansável governador, que sempre tem em mente o cuidado do culto de Eságila e Ezida e está constantemente preocupado com o bem estar da Babilônia e Borsippa, o sábio, o humilde, o zelador de Esagila e Ezida, o primogênito filho de Nabopolassar, o rei da Babilônia, sou eu.”

As duas entradas do portão das muralhas da cidade, Imgur-Ellil e Nemetti-Ellil, após o enchimento da rua da Babilônia, tinham se tornado cada vez mais baixas. Portanto, Eu abaixei esses portões e coloquei suas fundações no lençol freático com asfalto e tijolos e os fiz de tijolos com pedras azuis sobre as quais maravilhosos touros e dragões eram retratados. Cobri os telhados colocando cedros majestosos sobre eles. Fixei portas de madeira de cedro adornadas com bronze em todas as aberturas do portão. Eu coloquei touros selvagens e dragões ferozes nos portões e assim os adornei com esplendor luxuoso para que a Humanidade pudesse contemplá-los com admiração.

Deixei o templo de Esiskursiskur, a maior casa de festivais de Marduk, o senhor dos deuses, um lugar de alegria e júbilo para as divindades maiores e menores, ser construído firme como uma montanha no recinto da Babilônia de asfalto e tijolos de fogo.” 

Relatos da Babilônia na Bíblia incluem a história da Torre de Babel. De acordo com a história do Antigo Testamento, os seres humanos tentaram construir uma torre para alcançar os céus. Quando Deus viu isso, ele destruiu a torre e espalhou a humanidade por toda a Terra, fazendo-os falar muitas línguas para que não pudessem mais se entender.

Alguns estudiosos acreditam que a lendária Torre de Babel pode ter sido inspirada em um templo de zigurate da vida real, construído para homenagear Marduk, o deus padroeiro da Babilônia.

Zigurate da Babilônia / Torre de Babel

O zigurate da Babilônia era chamado Etemenanki, expressão suméria que significava Templo da Fundação do Paraíso e da Terra. Existem evidências que apontam para a sua existência desde o segundo milênio a.C. No entanto, o zigurate só se tornou famoso a partir da sua reconstrução, realizada pelo rei Nabucodonosor II no século 7 a.C.

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O zigurate de Ur é de longe o mais famoso de todos os zigurates, principalmente pelo fato de ser um dos mais bem conservados. O zigurate foi escavado nas décadas de 1920 e 1930 por Leonardo Wooley, que também foi o descobridor do Cemitério de Ur e do túmulo da rainha Puabi.

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Untash-Napirisha foi um rei elamita que viveu no século 14 a.C, ele foi o responsável por construir a cidade de Dur-Untash, a cerca de 40 km de Susa. Ela se situa no atual complexo de Chogha Zanbil, que fica a 50 km ao norte de Ahvaz, capital da província do Khuzistão, no Irã.

Zigurate de Untash-Napirisha

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Zigurate de Uruk

Zigurate construído por volta do ano 3200-3000 a.C. Acredita-se que era dedicado ao deus do céu Anu. A plataforma que sustentava o templo se elevava a uma altura de cerca de 12 metros e a superfície sobre o terraço media cerca de 45 x 50 metros. Os restos de uma elaborada construção, chamada de “Templo Branco”, foram encontradas no terraço.

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Zigurate de DurKurigalzu

Dur-Kurigalzu fica na moderna cidade de Aqar-Qūf próximo a Bagdá. A cidade foi fundada pela dinastia Cassita que governou a região no século 14 a.C. Ela possuia, além de um zigurate, outros templos e um palácio real.

O zigurate tem uma altura de 52 metros e é um dos mais bem preservados do Iraque. A sua parte central se manteve de pé e foi durante séculos um ponto de referência para viajantes que cruzavam pela região. O local foi escavado pela primeira vez em 1811 e desde então mais de 100 tabletes em cuneiforme foram encontrados na cidade, e atualmente estão no Museu Nacional do Iraque.

A parte inferior do zigurate foi restaurada durante a década de 1970 como parte de um projeto de valorização da História pelo ditador Saddam Hussein.

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Zigurate de Borsippa

Borsippa ou Birs Nimrud é um sítio arqueológico na Província da Babilônia, no Iraque. O zigurate é também conhecido pela alcunha Tongue Tower (Torre Língua), isso porque, durante muito tempo, se acreditou que essas eras as ruínas da famosa Torre de Babel, ligada ao mito judaico-cristão do surgimento dos diversos idiomas.

Borsippa era uma cidade que possuia uma relação de dependência com a Babilônia. O templo  era dedicado ao deus Nabu, e foi provavelmente construído no período Neo-Babilônico, no século 7 a.C.

Em 539 aC, menos de um século após sua fundação, o lendário rei persa Ciro, o Grande, conquistou Babilônia. A queda da Babilônia estava completa quando o império ficou sob o controle persa.

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Apesar do tempo decorrido, da pilhagem e dos danos ao patrimônio arqueológico, alguns dos emblemas e edifícios mitificados pela religião, literatura, pintura e historiografia da cultura babilônica; como a Torre de Babel ou os Jardins Suspensos, permaneceram para sempre na memória coletiva mais antiga da humanidade como sinais indeléveis da eterna Babilônia.

Referências:

  • Babilônia; Museu Metropolitano de Arte.
    Relatório final sobre avaliação de danos na Babilônia; UNESCO.
  • Tropas dos EUA acusadas de danificar a antiga maravilha da Babilônia; CNN.
  • Walker, Joseph M. (2002). Civilizações antigas da Mesopotâmia. Cap. 2: Assíria e Babilônia . Móstoles: Edimat Libros SA.

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