Arquitetura

Arquitetura Etrusca

A Civilização Etrusca é pouco conhecida, mas foi de extrema importância para a cultura de outras civilizações, até os dias atuais.

Eram chamados pelos gregos de tirrenos e pelos romanos de tusci ou etrusci.

Os etruscos se desenvolveram naturalmente graças a sua cultura, aparentemente superior à dos povos locais.

Eles ocuparam terras férteis, cuja produção, especialmente do trigo superava as necessidades do povo. Todo o excedente da agricultura era exportado.

Os minerais, zinco, cobre, chumbo, ferro, foram a base da florescente indústria de metais, que gerou enorme riqueza.

Grandes navegantes que eram, os etruscos construíram portos e o comércio tornou esse povo ainda mais próspero.

A Etrúria, na verdade não foi um Estado unificado. Ela era constituída de diversas cidades-Estado, cada uma com sua própria política.

Eram doze cidades chamadas dodecápolis, cada uma governada por um lucumon (soberano) que, era escolhido entre os chefes das famílias mais poderosas. Esse soberano possuía todos os poderes e todas as insígnias, mais tarde copiadas pelos magistrados de Roma.

Suas cidades eram o reflexo da sua capacidade arquitetônica, com avenidas que dividiam os bairros, estradas, pontes, redes de esgoto e de águas pluviais.

Além disso, construíram aquedutos e drenaram pântanos para aproveitar as terras para plantio.

As casas etruscas possuíam átrio e foram os Etruscos que introduziram os arcos, abóbodas e cúpulas originárias de seus templos.

Os etruscos, viveram na região central da Itália, entre os séc. VIII e II a.C., que posteriormente, foi incorporada pelo Império Romano em 200 a.C.. Estes, adotaram muitos costumes dos etruscos como: vestuário, arte, arquitetura, rituais e padrões sociais.

A região onde prosperaram, entre os rios Arno e Tibre se chama Toscana por causa do nome que tinham em latim, tusci. O mar que banha a costa da região se chama Tirreno, termo derivado de tirrenoi, como os gregos denominaram os etruscos.

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Situação geográfica da civilização Etrusca – Fonte: Wikipedia

Dada a riqueza das minas de ferro, cobre, zinco e estanho da Toscana e sua posição de ponte no comércio do Mediterrâneo com a Europa central, os etruscos prosperaram no século VII a.C.

Em torno de 850 a.C., já estavam estabelecidos na região da Etrúria, entre os rios Arno e Tibre, a oeste e sul da cadeia dos Apeninos. Nos três séculos posteriores difundiram seus domínios submetendo os povos locais, ocupando vastas áreas da planície do rio e fundaram cidades que existem até hoje. Em direção ao sul, tomaram Roma, então um aglomerado de aldeias e transformaram-na em uma cidade cercada de muros. Acredita-se que os Tarquínios, uma dinastia de reis etruscos  governaram Roma em torno de 616 a.C. a 509 a.C.

Entretanto, os etruscos foram expulsos de Roma em 509 a.C., quando iniciou sua decadência e tiveram sua fronteira destruída pelos gregos em 476 a.C.

Seus escritos podem ser lidos, pois os caracteres são gregos, mas é uma língua que não foi completamente decifrada. Existe um texto chamado “Tábua de Cortone” (se presume de 200 a.C.), sobre o qual se debruçam os estudiosos ainda sem grande sucesso.

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Escrita Etrusca, encontrada em Perugia, Itália.

Existem evidências da arte Etrusca. Os afrescos, nas câmaras mortuárias contam muito sobre a vida e os hábitos do povo. A noção de divisão do espaço, as cores o movimento que alcança seu momento mais feliz no túmulo do Triclinium.

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Dançarinos na tumba de Triclinium, Fonte: Wikipedia

 

As estátuas de terracota sobre os túmulos e outras obras que demonstram sua habilidade e bom gosto.

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Cabeça de divindade Etrusca, séc. II a.C. – Museu do Louvre

A cerâmica preta e brilhante chamada buchero era típicamente etrusca, semelhante a porcelana chinesa, até hoje não se sabe como era feita.

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Cerâmica negra, Fonte: Wikipedia

Além de esculpirem em pedra, os etruscos criavam peças de bronze, das quais a mais famosa é a Quimera de Arezzo, e ainda trabalhavam em marfim e madeira.

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Quimera, encontrada em 1.553, próximo às muralhas da cidade de Arezzo, na região da Toscana, Itália. Hoje está exposta no Museu Arqueológico Nacional de Florença.

Os etruscos foram grandes construtores, utilizando pedra e madeira na construção de templos, casas, túmulos, muralhas da cidade, pontes e estradas.

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Porta Augusta em Perugia, Fonte: Wikipedia

A Cloaca Máxima, grande esgoto que possibilitou a construção e drenagem do Fórum Romano, foi desenvolvida durante o domínio Etrusco, sobre os romanos.

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Cloaca máxima, Fórum de Roma – Fonte: Wikipedia

Por volta de 630 aC, a arquitetura etrusca foi fortemente influenciada pela arquitetura grega, que estava se desenvolvendo no mesmo período. Por sua vez, influenciou a arquitetura romana.

Assim como no Egito, a maior riqueza legada pelos etruscos encontrou-se nos túmulos.

Pelo respeito ao morto e pela crença na vida após a morte, os mortos eram sepultados com tudo aquilo que talvez precisassem para ter um feliz post-mortem.

Os túmulos subterrâneos são chamados hipogeus, são retangulares com uma falsa cúpula. Na verdade são escavados nas rochas.

Muito mais que os objetos ali encontrados, podemos observar pelas pinturas que decoram os túmulos todo um modo de vida dessa sociedade.

A necrópole de Cerveteri foi nomeada Patrimônio da Humanidade. Possui uma área de mais de 400 hectares, sendo a maior necrópole da região do Mediterrâneo. Existem milhares de túmulos seguindo um plano urbano semelhante ao de uma cidade e data entre os séculos IX e III a.C..

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Túmulo em Cerveteri – Fonte: Wikipedia
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Interior da tumba – Fonte: Wikipedia

A cena mais repetida é a do banquete. Certamente havia banquetes durante a vida e também o banquete onde se reuniam os familiares e amigos do morto. Portanto a vida dos ricos deveria ser muito agradável.

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Uma das tumbas de Cerveteri, protegida por vidro, Tumba dei Relieve – Fonte: Wikipedia

Por volta do século V foi um período difícil para os etruscos, que estavam no auge mas, as colônias gregas também estavam no apogeu.

Além disso, entre a Etrúria e o Lácio, a cidade de Roma que fora dominada pelos etruscos, agora ganhava independência e começou a atacar a Etrúria em 498 a.C. e só conseguiu completar a conquista em 264 a.C. Foram mais ou menos 234 anos de escaramuças, conflitos, ataques, um período bastante longo de resistência do povo etrusco.

Com a queda dos etruscos, sua população se romaniza, mas não perde certos traços, como sua linguagem, sua religião e na verdade, a maior parte dos reis, no inicio da monarquia romana, tinha origem etrusca.

Referências:

  • BOITANI, F.; CATALDI, M.; PASQUINUCCI, M. As cidades etruscas . Verona: Arnoldo Mondadori Editori, 1978.
  • CRISTOFANI, M. Dicionário da civilização etrusca . Florença: Giunti Martello Editore, 1985.
  • CRISTOFANI, M.; MARTELLI, M. O ouro dos etruscos . Novara: Istituto Geografico de Agostini SpA, 1983.
  • HEURGON, J. Vida cotidiana dos etruscos Milão: IlSaggiatore, 1973.

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