Arquitetura

Arquitetura Micênica

Micenas, a cidade de Agamenon ( um dos mais distintos heróis gregos, filho do rei Atreu com rainha Aerope, e irmão de Menelau), foi encontrada por Heinrich Schliemann em 1876.
A fé desse explorador alemão, nas tradições de Esquilo e de Pausânias, que havia deixado uma descrição do lugar, fizeram com que escavasse num local onde ninguém esperava encontrar nada.

No entanto, ele encontrou: esqueletos, jóias, armas, taças,  vasos, um enorme tesouro que na verdade, pertenceu de fato aos Micênicos e assim, estava descoberta Micenas e os estudiosos puderam trazer à luz, toda a história dessa civilização.

Civilização micênica, é um termo para descrever a última fase da Idade do Bronze, na Grécia Antiga, abrangendo o período de, aproximadamente, 1600 a 1100 a.C.. Representa a primeira civilização avançada na Grécia continental, com seus estados palacianos, organização urbana, obras de arte e sistema de escrita. O local mais proeminente foi Micenas, pela qual a cultura é igualmente conhecida. Os Micênicos também eram conhecidos como Aqueus.

A civilização micênica originou-se e evoluiu sob influências da Creta minoica, ou Civilização Minoica.

No final da Idade do Bronze Média ( 1600 aC), ocorreu um aumento significativo na Oi população e no número de assentamentos e vários centros de poder surgiram no sul da Grécia continental.

Outros centros de poder incluíam, Pilos, Tirinto e Mideia no Peloponeso (extensa península montanhosa no sul da Grécia), Tebas e Atenas na Grécia Central e Iolcos na Tessália (fronteira com a Macedônia, ao norte).

Durante este período, os centros micênicos testemunharam contatos crescentes com o mundo exterior e especialmente com as Cíclades e os centros minoicos na ilha de Creta. A presença micênica parece também ser retratada num afresco em Acrotíri, na ilha de Tira (atual ilha de Santorini), que exibe muitos guerreiros em elmos de presa de javali, uma característica típica da guerra micênica.

No início do século XV aC, o comércio intensificou-se com a cerâmica micênica, chegando à costa ocidental da Ásia, Menor, incluindo: Mileto, Tróia, Chipre, Líbano, Palestina e o Egito.

Povoados de influência micênica também apareceram em Epiro, na Macedônia, nas ilhas do Mar Egeu, na costa da Anatólia e Itália.

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Situação geográfica de Micenas na Grécia continental.

A decifração da escrita, Linear B, executada pelos Micênicos (adaptada da escrita Linear A, dos Minoicos), um sistema adaptado para o uso da língua grega da Idade do Bronze tardia, demonstrou a continuidade da fala grega do segundo milênio ao século VIII a.C., quando surgiu uma nova escrita. Além disso, revelou que os detentores da cultura micênica estavam etnicamente relacionados com as populações que residiam na península grega após o final deste período cultural. 

 

Screenshot_20200122-150013__011582248176601__01A erupção do Tera, que de acordo com dados arqueológicos ocorreu em c. 1500 aC, resultou no declínio da civilização minoica de Creta.

Essa reviravolta deu aos micênicos a oportunidade de espalhar sua influência por todo o mar Egeu. Em torno de c. 1450 aC, estavam no controle da própria Creta, incluindo Cnossos, e colonizaram várias outras ilhas do Mar Egeu, chegando até Rodes, tornarando-se o poder dominante da região.

Os gregos micênicos introduziram várias inovações nas áreas de engenharia, arquitetura e infra-estrutura militar.

A Grécia micênica era dominada por uma sociedade de elite guerreira e consistia de uma rede de estados, centrados no palácio, que desenvolviam rígidos sistemas hierárquicos, políticos, sociais e econômicos. Na cabeça desta sociedade estava o rei, um militar no comando e a base da sociedade, eram os trabalhadores livres e escravos. 

Suas riquezas principais eram o trigo, o azeite e o vinho. Havia indústria têxtil (lã e linho), a metalurgia do bronze (armas) e também a cerâmica. Mas a agricultura era básica.

O traço principal da arquitetura micênica são as cidadelas cercadas por muralhas imensas (chamadas ciclópicas). Argos, Micenas, Tirinto e Pilos eram cidades que tinham palácios fortificados.

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Simulação gráfica da cidadela de Micenas.
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Ruínas da cidadela de Micenas na atualidade.

Como forma de defesa, só havia um caminho a seguir para chegar aos portões das cidades. A Porta dos Leões, o mais famoso acesso a Micenas.

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Porta dos leões.

Ao redor dos palácios, no interior da cidadela, e também do lado de fora, junto às muralhas, havia várias casas de planta retangular e diversos cômodos, um deles habitualmente com lareira. As paredes eram de tijolo seco ao sol, barro comprimido reforçado com cascalho, vigas de madeira, ou uma combinação disso; as fundações eram de pedra, ou de simples cascalho misturado com barro. O telhado era provavelmente plano, composto de uma estrutura de madeira recoberta de reboco ou terra.

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Planta baixa de uma casa  mais popular em Micenas.

As casas dispunham-se de forma desorganizada e a pequena distância umas das outras. Algumas tinham os mesmos detalhes arquitetônicos encontrados nos palácios: mégaro, colunas de madeira, mais de um nível e pátio interno. Pertenciam, provavelmente, aos cidadãos mais ricos e influentes da sociedade micênica, ou então tinham alguma função administrativa importante.

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Planta baixa e elevação do Megaro, habitações dos mais ricos em Micenas.

Os pobres viviam em cabanas de um ou dois cômodos situadas fora das muralhas. As paredes eram de tijolos secos ao sol ou de madeira, o chão era de terra batida e o telhado, plano, era em geral recoberto de palha.

As tumbas também são típicos exemplos da arquitetura desse povo, chamadas de tholoi, são edifícios escavados na rocha, em planta circular e teto em forma de cúpula.

O mais famoso túmulo do gênero é o de Atreu, nome dado por Schliemann, onde foram encontrados copos, adagas, jóias e máscaras mortuárias em ouro. O que pressupõe, que este é o túmulo de Agamenon, filho de Atreu.

A arte micênica sofreu grande influência da minoica em Creta, nos motivos naturalistas e no estilo dos palácios. Acredita-se que havia artistas cretenses entre os micênicos, pelo estilo de arte nas cerâmicas e na pintura. Tipicamente micênicas, foram as cenas de guerra, as cenas heróicas ou as caçadas do rei e as máscaras mortuárias em âmbar e ouro.

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Pintura a fresco de uma mulher Micênica. Museu Arqueológico de
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Fonte Wikipedia

A Grécia micênica pereceu, com o colapso da cultura da Idade do Bronze no leste do Mediterrâneo, que foi seguida pela chamada Idade das Trevas grega, um período de transição sem registro que leva ao período Arcaico grego.

O fim desta civilização, começou com a invasão dórica, conjugada com desastres naturais (terremotos, maremotos e mudanças climáticas drásticas). O período micênico tornou-se cenário histórico de muitas literaturas e mitologias antigas, incluindo o Épico de Troia.

Registros egípcios mencionam uma terra, durante o reinado do faraó Tutemés III ( 1479–1425 a.C.), esta terra é geograficamente definida em uma inscrição do reinado de Amenófis III (1390–1352 a.C.), onde são mencionadas várias cidades que cobrem a maior parte do sul da Grécia continental e cidades como Micenas e Tebas foram identificadas com precisão.

Nos registros oficiais de outro império da Idade do Bronze, o dos hititas, na Anatólia (também conhecida como Ásia Menor, que compõe a maior parte da República da Turquia), várias referências de c. 1400 a 1220 a.C. mencionam um país chamado Aiaua. Estudos recentes, baseados em evidências textuais, novas interpretações das inscrições hititas, bem como pesquisas recentes de evidências arqueológicas sobre contatos micênicos-anatólicos durante este período, concluem que o termo Aiaua deve ter sido usado em referência ao mundo micênico (terra dos aqueus), ou pelo menos para uma parte dele. Este termo, também pode ter tido conotações mais amplas em alguns textos, possivelmente referindo-se a todas as regiões colonizadas por micênicos ou regiões sob controle político micênico direto. Outro nome similar, Ecues, nas inscrições egípcias do século XII a.C., tem sido comumente identificado com os Aiaua. Estes Ecues foram mencionados como um grupo do povo do Mar.

Como uma grande área era ocupada por campos, quase não havia pasto para criação de animais. O cultivo de oliveiras e vinhas era propício ao terreno acidentado.

Para assegurar sua sobrevivência, o povo micênico se voltou para o mar, ” o povo do mar”, citado pelos egípcios. A expansão da civilização micênica, causada pela aridez da península grega, a dificuldade de lidar com a agricultura impulsionou esse povo a procurar novas paragens, chegando a Creta.

Conquistaram Creta e aos poucos se tornaram poderosos e grandes comerciantes e a cidade de Micenas, que dá nome à civilização se tornou a mais poderosa cidade grega.

Com a decadência da civilização micênica, acaba o poder marítimo de Creta, a ilha se divide em cidades-estado e se torna uma parte sem importância do mundo grego.

Referências:

  • W. Taylour, Os micénios, trad. M.E. Saragoça, Lisboa, Verbo, 1970, p. 90.
  • Homero (século VIII a.C). Odisseia. [S.l.: s.n.] Tradução em português: Odisseia. São Paulo: Martin Claret. 2011b.
  • Homero (século VIII a.C). Ilíada. [S.l.: s.n.]Tradução em português: Ilíada. São Paulo: Martin Claret. 2011a.

 

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