Arquitetura

Arquitetura Persa

Também conhecido como Império Aquemênida, os Persas, formaram um grande império, entre 550 – 330 a.C., no sudoeste da Ásia e descendem de tribos que ocuparam a Ásia Central há cerca de 3 mil anos. Em sua maior expansão, seu território estendeu-se por uma área hoje ocupada por nações como Usbequistão, Turcomenistão, Afeganistão, Turquia, Paquistão, Iraque e Irã. As guerras entre persas e gregos são narradas por Heródoto na obra: Histórias.

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Situação geográfica da Pérsia. Fonte: Wikipedia

Os iranianos de hoje são descendentes dessa linhagem, mas se dividem em vários grupos com muitas diferenças entre si. O país se chamou Pérsia até o século passado – o nome Irã, que na língua persa significa, “terra dos arianos” (uma referência à etnia de seus ancestrais), só foi adotado oficialmente em 1935. Ou seja: o país sempre se chamou Irã. Eram os europeus que chamavam de Pérsia.

A história desse império, começa com Ciro II, O Grande, que fundou o império e obteve muitas conquistas para os persas, como a derrota dos governantes Medos e a conquista da Babilônia e da Lídia.

Ciro II, adotou uma política de expansão territorial, onde o objetivo era formar um grande império, obter riquezas e resolver os problemas do crescimento da população, já que os povos conquistados, passavam a fazer parte da Pérsia. Todos, eram obrigados a servir o seu exército e pagar tributos, com isso, ele formou um grande exército.

A habilidade política de Ciro, seguida pelos seus sucessores imediatos, assegurou a força e a unidade de uma vasta região, que ia da Anatólia ao Afeganistão, e do Cáucaso à Arábia, composta por uma miríade de povos diferentes, algo que jamais havia sido conseguido na história da humanidade até então.

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Monumento a Ciro o Grande, no parque Olímpico de Sydney – Fonte: Wikipedia

Após a morte de Ciro em batalha, seu filho, Cambises II, assumiu a posição de Imperador e decidiu dar continuidade à política de expansão criada por seu pai. Enquanto Ciro foi lembrado por sua generosidade para com seus inimigos, Cambises foi lembrado como um tirano. Ele já havia governado a Babilônia, porém era outra coisa governar o maior reino, que o mundo já tinha visto.

De temperamento explosivo, segundo Heródoto, Cambises teria tido um acesso de fúria contra sua irmã grávida, e a teria matado por espancamento e logo após ter feito isso, deixou o cargo de rei e quem passou a governar foi Dario I, que foi um dos melhores reis da Pérsia, governando-a durante seu auge.

Além de expandir consideravelmente o território de seu império, Dario I organizou um novo sistema monetário unificado, instituiu projetos de construção e fez do aramaico idioma oficial do seu reino.

Xerxes I, filho da Dario I, veio em seguida, dando continuidade às batalhas e tentando continuar a expansão persa pela Europa, que não durou muito, já que conquistou apenas algumas colônias gregas.

A grande ambição de Dario I era a conquista da Grécia. Porém em 490 a.C foi derrotado pelas cidades gregas, que se uniram sob a liderança de Atenas. Também seu filho Xerxes, tentou sem sucesso submeter os gregos. Essas campanhas foram chamadas de Guerras Greco-pérsicas.

Artaxerxes I foi o sucessor de Xerxes I, porém seu governo não obteve tantas conquistas.

Xerxes II permaneceu governando apenas por algumas semanas, pois foi assassinado. E Dario II, capturando o assassino, ficou em seu lugar, porém sem grande destaque.

Artaxerxes II Mêmnon, foi rei por 62 anos, com um governo marcado por rebeliões em várias províncias do Império Persa e inúmeros monumentos construídos.

A queda do Império Persa ocorreu em virtude de contínuas batalhas, de sua grande expansão (e a falta de controle sobre seu próprio território), da incapacidade dos sucessores de Dario I e por último, no reinado de Dario III, o império Persa acabou sob o domínio de Alexandre Magno, rei macedônio (Alexandre, O Grande).

Mesmo sendo o maior império da antiguidade, acabou decaindo em apenas alguns anos.

Os persas receberam grandes contribuições artísticas, dos assírios, babilônicos, egípcios e gregos. A arquitetura, contudo, teve um caráter bastante original, tanto na combinação dos elementos estrangeiros, como no luxo da decoração e na grandiosidade das estruturas.

A religião Persa defendia a existência do bem e do mal (dualismo) e do livre arbítrio. Era chamada Zoroastrismo. De acordo com historiadores, algumas concepções religiosas do Zoroastrismo (a crença no paraíso, na ressurreição, o medo do juízo final e a vinda de um messias) influenciaram, posteriormente, o judaísmo, o islamismo e o cristianismo.

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Faravahar, simbolo do Zoroastrianismo nas ruínas da cidade de Persepolis( 550 – 330 aC), atual Irã.

A arte Persa, corresponde às diversas manifestações artísticas: pintura, arquitetura, escultura e artesanato. Era essencialmente uma arte imperial, já que os artistas eram contratados pelos imperadores para construírem e adornarem seus palácios e templos.

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Detalhes em alto relevo, o leão e o touro, figuras recorrentes na arte Persa, nas ruínas da cidade de Persépolis.

Os principais trabalhos artísticos, foram as peças de cerâmica e as pequenas figuras de argila, apesar do predomínio da arquitetura e da escultura ao longo dos dois impérios persas: o aquemênida e o sassânida (séculos VI a.C. – VII d.C.).

Existem grandes coleções de cerâmica persa no Museu Britânico , no Museu Hermitage  e no Museu Real de Ontário.

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Vaso cerâmico, séc IV a.C. – Fonte: Wikipedia

Depois da conquista árabe e da introdução do Islã no século VII d.C., a escultura perdeu lugar para a arquitetura, que conheceu a partir de então um período de grande esplendor.

A arquitetura persa foi, sobretudo, uma criação dos reis para a sua própria exaltação. Um exemplo de tamanha glorificação é a cidade de Persépolis, hoje Irã, construída em 520 a.C., que foi uma das grandes capitais do Império Persa.

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Ruínas da cidade de Persépolis.

A arquitetura foi a arte mais desenvolvida, onde se destacaram as construções do “Palácio de Ciro”, e o “Palácio de Dario”, em Persépolis.

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Palácio de Dario, em Persépolis, é uma mistura de todos os estilos produzidos pela arquitetura antiga. Esse palácio foi um dos mais cobiçados e majestosos da Pérsia.
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Ruínas do palácio de Ciro II, o Grande em Passárgada.
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Tumba de Ciro II, o Grande, em Passárgada.

Entre os primeiros exemplos da arquitetura persa, destacam-se pequenas casas feitas à base de argamassa e tijolos de barro crú e secos ao sol, descobertas em várias obras neolíticas, no ocidente do Irã. As escavações realizadas em Tal-i Bakun, próximo a Persépolis, e em Tal-i Iblis e Tepe Yahya, próximo a Kerman, mostram como as construções eram feitas em torno de 4000 a.C., agrupadas em povoados ou pequenas cidades.

Destacam-se também,  os templos religiosos, utilizados para os cultos do zoroastrismo (religião predominante entre os persas) e também para reuniões de caráter social.

Os palácios eram suntuosos, apresentando grandes espaços internos decorados, pois serviam de moradia para os reis, militares e suas famílias. Estes palácios eram sustentados por grandes colunas e capitéis decorativos.

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A fortaleza de Tall-e Takht é o monumento mais antigo de Pasargada e fica ao extremo nordeste da cidade. É uma estrutura construída de pedras irregulares e tijolos não cozidos.

 

O primeiro momento de grande desenvolvimento da arquitetura persa tem lugar com a dinastia dos Aquemênidas (550 a 331 a.C.). Os indícios são numerosos, sendo os mais antigos as ruínas de Pasárgada, a capital do reinado de Ciro II, o Grande. Dario I, o Grande construiu uma nova capital em Persépolis, cidade que mais tarde seria ampliada por Xerxes I e Artaxerxes I (465-425 a.C.).

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Portão de Xerxes.

Após a conquista da Pérsia por Alexandre Magno em 331 a.C. e a chegada ao poder da dinastia selêucida, a arquitetura persa imitou o estilo característico do mundo grego.

Com a dinastia sassânida, que governou a Pérsia de 226 d.C. até a conquista do Islã em 641, teve lugar um importante renascimento arquitetônico. Entre os principais vestígios conservados, estão as ruínas dos palácios cupulados de Firuzabad, Girra e Sarvestan e as amplas salas abobadadas de Ctesifonte.

Palácio de Firuzabad

Depois da conquista da Pérsia pelos árabes no ano 641, o Irã passou a fazer parte do mundo islâmico. Seus artistas tiveram que se adaptar à cultura islâmica, a qual, por sua vez, foi influenciada pela tradição iraniana. A arquitetura continuou sendo a principal forma artística. Devido à tradição islâmica, que condenava como idolatria, a representação tridimensional de seres vivos e outros tipos de objetos, a escultura entrou em decadência. A pintura, por outro lado, não foi afetada por essa proibição de representar a figura humana, conhecendo a partir de então um período de grande efervescência.

A mesquita foi a principal tipologia arquitetônica do Irã. Entre os exemplos mais importantes da primeira fase da arquitetura islâmica do Irã, estão a mesquita de Bagdá (764), a grande mesquita de Samarra (847) e a primeira mesquita de Na’in (século X). Com a expansão do império mongol, boa parte da arquitetura islâmica se concentrou no Irã, mas, depois da conquista de Bagdá pelos mongóis em 1258, renovou-se um tipo de construção mais apegada às tradições iranianas e foram erguidos vários dos melhores edifícios de toda a história da arquitetura no Irã, como a grande mesquita de Veramin (1322), a mesquita do Imã Reza em Meshad-i-Murghab (1418) e a mesquita azul de Tabriz. Outras obras importantes são o mausoléu do conquistador mongol Tamerlão e sua família em Samarcanda.

Os persas também construíram grandes mausoléus (espécie de tumbas) em homenagem aos reis e imperadores mortos.

As cidades persas também merecem destaque não só pela arquitetura, mas também pelo desenvolvimento urbano que apresentaram. A grandiosidade das cidades persas pode ser atestada até hoje, através das ruínas de Pasárgada ( uma das principais cidades do Império Persa). As cidades persas de Susa e Persépolis também são exemplos da grandiosidade e alto nível de desenvolvimento da arquitetura urbana desta civilização.

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