Viagens, Vida real

Micos e perrengues de viagem #4

Oi gente!

Dando continuidade à série Micos e Perrengues de viagem, hoje vou contar um episódio meio nojento. Aliás, muito nojento.

Mas, só quem passou por um perrengue desse, pode ser capaz de avaliar. Eu sofri tá?

Em junho de 2009 eu fiz uma viagem pro Chile. Era um sonho realizado, porque os chinelos são muito legais, o Chile é lindo, tem uma culinária incrível e muitos lugares próximos da capital Santiago, pra visitar.

E foi num desses lugares que passei um dos maiores perrengues da vida.

Valle Nevado é uma estação de esqui chiquérrima, cheia de gente rica (menos eu que tava de gaiata), linda e glamourosa, porque a neve permite o glamour.

Até eu fiquei trabalhada no glamour, porque tava cheia de casaco de couro e peles (alguns emprestados), bota, luva, óculos de neve…enfim, tava com cara de rica. Olha só minha minha bossa!!!

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Estação de esqui – Valle Nevado – Chile

Quem me conhece, sabe que eu tenho um problema sério de náuseas. Qualquer coisa fora do normal me dá náusea: perfume doce e forte, parque de diversão, aqueles brinquedos de girar, passeios de barco muito longos, elevador, até andar de carro no banco de trás, quando chacoalha muito, me dá náusea.

Eu acho que a primeira coisa que eu fiz quando nasci, foi vomitar em vez de chorar. É realmente uma coisa medonha.

Mas faço o possível pra evitar essas situações acima, o que nem sempre é possível, porque não depende só de mim. Tem sempre uma perua entrando no mesmo elevador que eu, com aquele perfume francês…parece que eu atraio coisas que vão me provocar náuseas.

Continuando, saí de Salvador, num vôo direto pra Santiago. Enjooei horrores, mas tomei dois dramins de uma vez, pra garantir, porque, quando o avião sobrevoa a Cordilheira dos Andes, pega uma corrente que vem do pólo Sul e o avião parece que vai cair, de tanto que chacoalha. Como eu tava dopada de dramim, fui salva de um vexame a 9.000 pés de altitude.

Pra completar, minha companheira de viagem, que era uma mala sem alça, não parava de encher o saco, dizendo que era tudo frescura minha…a gente só nao saiu no tapa, porque eu não queria baixaria.

Finalmente pousamos, fomos pro hotel, descansamos, dormimos e tudo voltou ao normal.

No dia seguinte, tínhamos programado a ida pra Valle Nevado.

Detalhe do percurso: Valle Nevado é uma montanha com 2.800m de altura e pra chegar no topo, só de carro ou ônibus. E a pior parte: são 60, isso mesmo, SESSENTA curvas do pé até o topo da montanha. Quase tive um troço e desisti. Mas não tinha como voltar pra Santiago, então, encarei.

Já tava um frio de -5°, mas eu gelei. Pensei com meus botões, vai dar merda. E deu.

Subimos. No meio do caminho eu já tava verde, mas como tava frio eu respirava fundo e o frio fazia algum milagre no meu estômago.

De repente, uma gestante pediu pro motorista parar, porque ela ia vomitar. Ele parou, ela vomitou e eu aproveitei pra dar o troco pra minha colega. Mandei ela falar pra gestante que era frescura…mas óbvio que ela não perguntou, nem achou graça… hehehe.

Beleza, finalmente chegamos ao topo e eu tava feliz da vida, por ter vencido tamanho desafio.

Fomos esquiar (na ala infantil, porque a gente só fingia que sabia esquiar), rodamos as lojas chiques, compramos umas lembranças, tiramos trocentas fotos, fizemos amizade com um grupinho bem animado e aí alguém sugeriu: vamos almoçar no Farellones, o melhor restaurante de mariscos de todo o Chile, etc e tal…

Como eu sou louca por mariscos, topei na hora. Nunca comi tão bem e tão caro. Mas valeu o investimento. Depois eu mudaria de opinião, mas naquele momento foi a perfeição gastronômica.

Acabamos o almoço, só que já era quase janta, porque eram 16:00h e como escurece cedo no inverno, teríamos que descer da montanha, no máximo até 17:00h, por questões de segurança.

Olha minha cara de quase pânico, quando recebi a notícia da descida imediata.

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Restaurante Farellones – Valle Nevado – Chile

Foi aí que meu calvário começou.

Entrei no ônibus e meu anjo da guarda disse: sente no fundo.

Sabe aquele gelo na espinha e a sensação de que alguma coisa vai dar errado?

Sentei na última fila do ônibus e dei graças a Deus, que a maioria se aglomerou do meio pra frente e não parava de conversar, trocar email, telefone e continuar a confraternizar o passeio, que foi massa.

Massa pra eles. Pra mim foi o inferno na Terra.

Quando o ônibus começou a descer, meu estômago parecia que tinha um oceano, em pleno maremoto dentro. Nunca suei tão frio, numa temperatura de -5°.

Lá pela metade do caminho eu já tinha passado de verde pra azul, roxa, marrom e já deveria estar preta, porque nessa hora eu pensei: vou pedir pro motorista parar, pra eu botar pra fora meu almoço caréssimo.

Mas e a vergonha de atravessar aquele povo todo? E o medo de não dar tempo de chegar fora do ônibus e vomitar no povo?

Quatrocentos mil pensamentos passaram pela minha cabeça, numa fração de segundos.

Aí pensei, vou abrir a janela e vomitar. Ninguém vai ver. Mas as janelas eram fixas e somente a do motorista abria.

Pensei de novo: tô lascada.

Antes que eu terminasse a frase, senti aquela torrente incontrolável, subindo pelo meu esôfago e não houve tempo pra mais nada.

Pra minha felicidade e de todos, eu tinha feito compras e minha única alternativa foi essa: vomitei dentro da sacola das lembranças, não uma, mas várias vezes, até sair o último marisco do meu estômago.

Foi nojento, eu avisei né? Mas foi um alívio.

Pelo menos o perrengue e o mico, foram controlados, não passei vergonha e nem arruinei a viagem daquelas pessoas tão legais, exceto minha colega.

Resultado: o almoço caréssimo foi pro lixo, as lembranças foram pro lixo e eu morta de fome, tive que sair pra jantar. Só que dessa vez fui andando, num restaurante perto do hotel, mas também caréssimo e super conhecido, pelas comidas exóticas e esculturas feitas nas sobremesas. O restaurante, Como Água para Chocolate, eu recomendo.

O restaurante é show, não me arrependo de ter pago uma pequena fortuna, afinal eu merecia esse conforto, depois do ocorrido.

Apesar desse mega perrengue, minha viagem pro Chile, foi muiiiiiitooooo massa e eu adoraria voltar!

Chi Chi Chi Le Le Le!!! ( É o grito de guerra da torcida dos chilenos).

Texto: Lila Amaral.

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