Vida real

Pedras no caminho

Era uma vez, um dia que começou radiante e terminou com pedras no caminho…e umas coisitas mais…

Ontem acordei super feliz!

Tão feliz, como a muito não ficava, que fui fazer o que mais amo na vida, caminhar na beira do mar.

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Euzinha, caminhando à beira mar do Mar Tirreno, Itália.

Esse, para mim é um prazer inenarrável.

O mar me faz tão bem, me energiza positivamente, me acalma, me inspira, me adoça, me eleva!

Ouvir o ir e vir das ondas, com seu barulhinho bom, me traz uma paz, uma serenidade, que sou capaz de ficar horas a ouvir e sentir…

Eu preciso do mar, como preciso do ar que eu respiro.

Passeei despretensiosamente, por mais de uma hora, pelo cais, tirei lindas fotos, filmei, pra guardar a imagem e o som natural e decidi descer para a borda do mar… é lá onde mais gosto de estar.

Aqui onde estou (na costa da Itália), em alguns lugares, não tem areia…e eu adoro isso, porque não gosto de areia e a sensação que ela provoca em mim, arranhando e me afligindo não acho legal.

Gosto é assim, cada um tem o seu…

Num determinado momento estava tão desligada de tudo e de todos, que não vi um vulto que vinha em minha direção.

Não era nada demais, eram apenas dois cães tão felizes, quanto eu, brincando de correr atrás das gaivotas nas pedras.

Na sua inocência, eles apenas corriam, sem se dar conta da minha presença.

Eu me assustei, porque um deles bruscamente, deu um salto para tentar apanhar a ave e eu, tropecei numa das pedras que estava no meu caminho.

Fui ao chão, caí feia e desajeitadamente, e meu joelho foi direto na ponta de uma pedra. Ainda assim, não gosto, nem prefiro areia.

Não foi nada grave. Como estava de calça, o prejuízo foi pequeno. A calça rasgou, mas, impediu um dano maior no joelho. Posso comprar outra calça, mas não outro joelho.

Só a dor incomoda e o medo que senti de ter quebrado um osso, ou deslocado a rótula.

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Meu pobre joelho detonado.

O engraçado é que vi os dois correndo, até filmei, antes de eu descer pra borda da água, porque achei fofos, mas depois esqueci deles.

Mas o dono do cão me prestou atendimento, fui medicada e está tudo bem.

Mas, isso tirou a felicidade do meu dia, porque acabou com meu passeio perto do mar, me deixou na cama, cheia de tédio, com gelo no joelho e a incerteza a me rondar.

Jamais, podemos prever o que vai acontecer no próximo segundo das nossas vidas. Isso é desconfortável, ainda que eu não seja pessimista ou ansiosa.

Tentei fazer o “jogo do contente”, da Polyana da minha infância e pensei: podia ter sido pior. Eu podia ter sido atropelada por um ônibus e não um cão. Eu podia ter caído num penhasco e não nas pedras. O cão é amigo do homem, o dono do cão ficou meu amigo…enfim, nem tudo é perda ou pedra.

Coincidentemente, abro a internet pra me distrair e dou de cara com um post com um pensamento, ou parte de um poema, atribuído a Fernando Pessoa, que é um escritor português, que eu gosto e leio muito.

“Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”

Não sei como, nem por que, nem quando, essa pedrada foi atribuída a Fernando Pessoa, mas, com certeza absoluta, ele jamais escreveu isso.

Esse fraseado é de um blogueiro, que escreveu e confirmou a autoria, num momento de desilusão. Mas, fiquei chocada com a quantidade de posts com o nome de Fernando Pessoa no rodapé desse desabafo.

Não tenho nenhuma vocação para princesa, e acho que, Fernando Pessoa, assim como eu, não construiria nenhum castelo, com pedras do caminho.

Talvez um túmulo…quem sabe???

Eu sei que é só uma sugestão para guardar as experiências negativas no futuro, mas quem pode prever o futuro?, que atire a primeira pedra (pode ser uma do caminho).

Bem…

O saldo do dia foi praticamente zero a zero, porque teve a parte ruim da queda, do machucado, da frase que não é de Pessoa, mas, em compensação, conheci uma pessoa bacana, que ficou meu “amigo”, me convidou pra jantar, fiquei amiga dos cães e a noite foi bem descontraída.

É sempre bom conhecer gente legal, principalmente quando se está viajando sozinha.

Um ótimo domingo pra todos e orem pro meu joelho!

Beijos,

Lila Amaral.

Um comentário em “Pedras no caminho”

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