Dicas

Tributo a Fernando Pessoa

“Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus”.

 

 Alberto Caeiro,
“Poemas Inconjuntos”. Athena n.º 5 de 1925

Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Bernardo Soares são todos a mesma pessoa: o grande escritor, que usava heterônimos, para escrever, como se fosse outra pessoa.

Fernando Antônio Nogueira Pessoa, ou mais popularmente conhecido como: Fernando Pessoa.

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Estátua de Fernando Pessoa, Lisboa, Portugal.

Fernando Pessoa, encontra-se imortalizado numa estátua de bronze, que o recorda sentado familiarmente, numa mesa do Café A Brasileira, no bairro do Chiado(Lisboa), onde muitas vezes escrevia seus textos e filosofava com os seus amigos sobre a época em que vivia.

Fernando, além de poeta filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português, foi uma das personalidades mais brilhantes das terras lusitanas.

Pode-se dizer que a vida do poeta foi dedicada a criar e que, de tanto criar, criou outras vidas através dos seus heterónimos, o que foi a sua principal característica e motivo de interesse pela sua pessoa, aparentemente muito pacata. Alguns críticos questionam se Pessoa realmente teria transparecido o seu verdadeiro eu ou se tudo não teria passado de um produto, entre tantos, da sua vasta criação.

Fernando Pessoa nasceu em Lisboa, em junho de 1888, e morreu em novembro de 1935, na mesma cidade, depois de passar boa parte de sua vida, vivendo na  aos 47 anos, em consequência de uma cirrose hepática. Sua última frase foi escrita na cama do hospital, em inglês, com a data de 29 de Novembro de 1935: “I know not what tomorrow will bring” (Não sei o que o amanhã trará).

Como forma de agradecer tanto talento, posto dois de seus melhores poemas.

Presságio

” O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar”…

Não sei quantas almas tenho

” Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu”.

Referências:

  • Pessoa, Fernando (2016). Obra Poética de Fernando Pessoa: volume 2. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

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