Arquitetura

Arquitetura Romana

Os romanos eram movidos por um tipo de ego cultural coletivo.

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Ambição, conquistas, lutas, traições, assasinatos, luxúria, poder e o domínio de uma tecnologia inigualável, foram as ferramentas, que fizeram de Roma, o maior império de todos os tempos. Espalhados por 3 continentes, seus feitos construtivos foram de uma magnitude impressionante.

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Maquete da Roma antiga.

Mas todo esse poderio, não foi suficiente para evitar sua autodestruição.

A fundação de Roma, curiosamente tem duas versões: a histórica e a lendária.

A lendária narra a estória dos irmãos Rômulo e Remo, que foram alimentados por uma loba e criados por camponeses. Quando adultos, Rômulo matou Remo e fundou Roma. Existem muitas estátuas, referentes a essa lenda, espalhadas pela Itália, mas em outras cidades conquistadas pelos romanos, como Tarragona, na Espanha.

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Estátua de Rômulo e Remo, nas ruínas do antigo Pretório, em Tarragona, Espanha. Acervo pessoal.

Mas, a versão que os historiadores consideram valida é a histórica. Por volta do século II a.C., vários povos, passaram a viver na Península Itálica, às margens do rio Tibre. Aproximadamente entre 1500 a 1000 a.C. esses povos começaram a se fundir numa única vila, que deu origem a Roma. Dentre esses povos, haviam: Gregos (fugidos da Diáspora Grega), latinos, italiotas, sabinos e Etruscos. Todos deram suas contribuições para os romanos.

Coincidência ou não, a data que os historiadores usam para marcar o início do primeiro período da história romana é justamente a mesma data da lenda, 753 a.C. e seu primeiro monarca se chamava Rômulo.

Como a história romana é bastante longa, historicamente ela foi dividida em 3 períodos distintos:

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Roma teve 7 reis, de origens latina e etrusca. Mas, não governavam sozinhos, pois já existia o Senado e a Assembléia Curiata, para elaborar e aprovar leis. A economia era basicamente, agropastoril, baseada em troca de produtos, pois a moeda só surge no final do período e a sociedade estamental, era dividida em Patrícios (proprietários de terras), clientes (parentes ou agregados dos Patrícios) e plebeus (camponeses e pequenos proprietários), onde era quase impossível mudar de classe social.

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Pirâmide social romana. Os escravos aparecem muito mais no período do Império.

A transição da Monarquia para República, acontece em 509 a.C., quando o Rei Tarquínio, o soberbo, decidiu governar sem aprovação do Senado e em vez de conseguir acabar com o Senado, foi o Senado que acabou com a monarquia e dessa forma a República foi instituída, como novo sistema de governo de Roma.

Na República o Senado era uma instituição fundamental, com funções legislativas, administrativas e financeiras. Esse sistema era controlado pelos Patrícios e o povo não tinha direito a participar. Dentre os cargos ou magistraturas, existentes, haviam: 02 Cônsules (controlavam o Senado e o exército), Pretores (executores das leis), Questores (administradores financeiros e cobradores de impostos), Censores (responsáveis pelo censo, contagem da população), Edis (responsáveis pela manutenção dos prédios públicos e limpeza da cidade) e Tribuno da plebe (representante dos plebeus).

A parte mais importante da expansão romana, se dá entre os séculos V e III a.C.

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Territórios conquistados pelos romanos.

Numa primeira fase, por toda a Península Itálica e na segunda fase, a conquista da bacia do Mediterrâneo e a cidade de Cartago, fundada pelos fenícios, que dominava todo o comércio no Mediterrâneo. Foram 3 grandes batalhas, chamadas de guerras Púnicas.

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Sem os cartagineses no caminho, os romanos partiram pra conquistar os gregos, os fenícios, a antiga Mesopotâmia, parte do império persa e toda a região da Palestina, onde Jesus nasceu.

Um dos maiores feitos construtivos dos romanos foram as estradas, que permitia que seu exército avançasse cada vez mais longe. As estradas construídas pelos romanos também revelam técnicas sofisticadas de construção. É o caso da Via Ápia, a mais famosa das estradas que saía de Roma.

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Estrada em Pompéia, acesso para Roma.

Roma cresceu rápido demais e a crise social foi inevitável, culminando numa guerra civil, que para ser controlada, medidas a favor da plebe precisaram ser tomadas, como incorporação nos exércitos e pagamento em partes de terras conquistadas e o a famosa política do Pão e Circo, que era a distribuição de trigo e organização de espetáculos, para a massa urbana, afim de conter as revoltas. Muitos edifícios foram construídos com esse fim, como é o caso do Coliseu, onde tinham as grandes batalhas de gladiadores.

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Ruínas de uma arena romana na atual Tunísia.

O período da República, foi uma época marcada por muitas disputas pelo poder, seguidos de conspirações e assassinatos entre os líderes dos triunviratos, sendo o último deles cometido por Caio Otávio Augusto, que assassinou Marco Antônio e Cleópatra, dando início à fase do Império.

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O Imperador Caio viveu até 14 d.C. e nesse período, grandes obras de infraestrutura foram feitas em Roma, para melhorar as condições de vida, evitar doenças e dar status à cidade.

A continuidade do império, foi marcada pelo aparecimento do Cristianismo e os romanos, assim como os gregos eram politeístas (acreditavam em vários deuses).

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Deuses da mitologia romana e grega.

Isso explica a quantidade de templos, estátuas e fontes construídos.

O império continuou suas conquistas e aumentou seu exército, com receio de ataques.

Após a morte de Caio Otávio, outros imperadores, governaram de forma tirânica, com personagens que pela ambição desmedida e um certo grau de loucura, começaram a marcar o declínio de Roma. Foram imperadores: Tibério, Calígula ( que nomeou seu cavalo como senador)  e Nero (que ateou fogo em Roma, pra construir seu palácio, porque não havia área para o tamanho do edifício).

Muitos imperadores estiveram no poder, mas sem muito destaque. As exceções são: Vespasiano, Tito Flávio, Trajano, Adriano, Caracala, Diocleciano, Constantino, primeiro imperador a apoiar o Cristianismo, que se destacaram por seus feitos construtivos.

A arquitetura da Roma Antiga é um importante legado da civilização romana para o mundo ocidental.

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Embora às vezes considerada como derivada da arquitetura grega, diferenciou-se por características próprias, como a monumentalidade e o uso de arcos, que permitiu a construção de grandes vãos, sem tantas pilastras, como acontecia nós edifícios gregos.

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Esquema do uso dos arcos, para a construção de aquedutos.

Os tipos de edifícios característicos deste estilo propagaram-se por toda a Europa, e os mais frequentes foram: os aquedutos, as basílicas, uma grande rede de estradas, as residências, arcos do triunfo, anfiteatros, banhos públicos/termas, monumentos e os templos. Os monumentos romanos se caracterizam pela solidez, aprendida com os etruscos, com o emprego do arco, assim como a abóbada, que os gregos e egípcios não conheceram. Construíram  também, catacumbasfontes, obeliscos, pontes e uma preocupação com o urbanismo.

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Modelo de uma residência romana, destinada aos plebeus.
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Modelo de uma residência romana, destinada aos Patrícios.
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Modelo de uma residência romana, destinada aos clientes.

A longevidade e a extensão do Império Romano explicam o porquê de monumentos e edificações serem tão notáveis e numerosos em comparação com outras civilizações antigas. Construções importantes foram executadas na época da República e do Império.

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Arco de Constantino, 312 d.C, Roma, Itália.
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Arco do Triunfo de Tito, 82 d.C., Roma, Itália.

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O Panteão é um exemplo de construção romana, que atravessou os séculos e chegou à atualidade em bom estado de conservação. O local, cujo diâmetro da planta baixa é igual à altura da cúpula, erguido para servir de morada dos deuses, representa um dos marcos da engenharia e arquitetura romanas, como mostra o esquema construtivo abaixo.

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Esquema construtivo do Panteão romano, Roma.

Sua planta é circular com um pórtico de grandes colunas coríntias de granito (oito na primeira fila e dois grupos de quatro na segunda) suportando um frontão. Um vestíbulo retangular liga o pórtico à rotunda, que está coberta por uma enorme cúpula de concreto, encimada por uma abertura central (óculo) descoberta.

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Interior do Panteão romano, Roma.

Quase dois mil anos depois de ter sido construído, esta cúpula é ainda hoje a maior cúpula de concreto não reforçado do mundo. A altura até o óculo e o diâmetro da circunferência interior são idênticos, 43.3 metros( como mostra o esquema acima).

É uma das mais bem preservadas estruturas romanas antigas e permaneceu em uso por toda a sua história. Localizado na Piazza della Rotonda, o Panteão tem sido utilizado como uma igreja, dedicada à “Santa Maria e os Mártires” chamada oficialmente de Santa Maria dei Martiri e informalmente de Santa Maria Rotonda desde o século VII. É uma basílica menor da Igreja Católica. 

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A Basílica Julia, era uma basílica civil que ficava no Fórum Romano. Era um grande edifício público utilizado para encontros políticos e outros negócios oficiais durante os primeiros anos do Império Romano. Suas ruínas estão na cidade de Roma. Abaixo a representação gráfica de como seria a Basílica.

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Basílica de São Pedro, Vaticano.

A Antiga Basílica de São Pedro, foi o edifício que permaneceu, entre os séculos IV e XVI, no local onde está hoje a Basílica de São Pedro, no Vaticano. A construção da basílica começou durante o reinado do imperador romano Constantino I e o local escolhido foi o Circo de Nero. O nome “Antiga Basílica de São Pedro” tem sido utilizado desde o início da construção da nova basílica para distinguir os dois edifícios.

Outro ponto de destaque da arquitetura da época são os aquedutos, exemplo da associação entre construção e funcionalidade.

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Aqueduto romano em Segóvia, Espanha. Acervo pessoal.

Eles propiciaram o abastecimento das cidades antigas com a chegada de água originária de colinas e montanhas a mais de 80 quilômetros de distância. A água também servia para alimentar as termas, comuns na época.

Termas era o nome usado pelos romanos para designar os locais destinados aos banhos públicos, que podiam ter diversas finalidades, entre as quais a higiene corporal e a terapia pela água com propriedades medicinais, em geral as manhãs eram reservadas às mulheres e as tardes aos homens.

As mais antigas termas romanas de que há conhecimento datam do século V a.C. em Delos e Olímpia, embora as mais conhecidas sejam as de Caracala.

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Representação gráfica de como era a Terma de Caracala, 218 d.C., Roma, Itália.
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Ruínas da Terma de Caracala, Roma, Itália.

Em Roma, Itália:

  • Termas de Caracala;
  • Termas de Diocleciano;
  • Termas de Nero;
  • Termas de Tito;
  • Termas de Trajano.

Em outras regiões do Império Romano:

  • Termas romanas de Bath, Inglaterra, Reino Unido;
  • Balneário Pré-Romano de Bracara na cidade de Braga, Portugal;
  • Termas romanas de Maximinos na cidade de Braga, Portugal;
  • Termas de Pompeia.

Alguns monumentos e edifícios romanos que ainda podem ser visitados.

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Ruínas do Circo máximo, onde ocorriam as corridas de bigas no período romano. Roma.
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Antigo Fórum romano. Roma, Itália.

 

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Coluna de Trajano, Roma, Itália.
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Colunas do Templo de Adriano, Roma, Itália.
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Anfiteatro romano, um dos mais bem preservados do mundo, Mérida, Espanha.
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Mercado de Trajano, 100 a 110 d.C. Roma, Itália.

No vídeo abaixo, podemos ver a genialidade dos romanos, ao projetar seus anfiteatros. A acústica era tão perfeita, que quem estava na última fila, ouvia igualmente a quem estava na primeira, sem nenhum esquema de auto-falantes ou amplificadores, que na época nem existiam.

Apesar de estar em espanhol, o que importa é a imagem. É o anfiteatro que fica na cidade de Málaga, na Espanha e suas ruínas podem ser visitadas.

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Ruínas do anfiteatro romano em Málaga, Espanha.

Referências:

  • ROGORA, Bernardo: Roma uma civilização que dominou o mundo, Portugal, 1999.
  • CHIRSP, Peter: A Roma antiga, Londres, 2004.
  • https://www.wikipedia.org

4 comentários em “Arquitetura Romana”

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