Arquitetura, Turismo

Arquitetura Paleocristã

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Mausoléu de Galla Placida, Ravena, Itália. Fonte: acervo pessoal.

A arquitetura paleocristã ou cristã primitiva é a arquitetura produzida por cristãos ou sob o patrocínio cristão desde o início do século II até o final do século V. Não há construções cristãs sobreviventes do século I, porque nesta fase o cristianismo ainda estava se formando.

Após aproximadamente o final do século V a arquitetura cristã incorpora o estilo artístico bizantino. As características da cúpula, que descansa sobre pilares de mármore, parecendo levitar no espaço. Em volta do tambor (parte mais baixa da cúpula), abrem-se quarenta janelas que simbolizam os quarenta dias que Cristo esteve no deserto. A arquitetura cristã primitiva inclue: grande dispersão geográfica e portanto, grande diversidade de resultados, de acordo com a regionalidade dos mesmos, a utilização dos modelos estilísticos herdados da Roma clássica, o uso portanto de novas formas e técnicas estéticas oriundas das áreas periféricas do império romano em especial do oriente, subordinação a um novo espírito e uma nova temática cristã, com sua iconografia retirada das sagradas escrituras, além de um sentido doutrinal e pastoral às artes em geral. Antes do início do século II os cristãos eram um grupo minoritário fortemente perseguido.

Nesse período o cristianismo era uma religião exclusiva das classes mais baixas, portanto a ausência arte sobrevivente pode refletir uma falta de recursos para patrociná-la. Os primeiros indícios claros na afirmação de um estilo próprio cristão surgem em inícios do século II, sendo seu expoente as pinturas murais nas catacumbas romanas, lugar de culto e refúgio cristãos. Normalmente os primeiros cristãos representavam o corpo humano de maneira proporcional e bidimensional, por vezes adaptando elementos da arte pagã, e obviamente harmonizando-os com os ensinamentos cristãos, bem como também desenvolveram sua própria iconografia, por exemplo, símbolos como o peixe.

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A mais antiga representação pictórica, de Maria, com o Menino Jesus. Século II, Catacumba de Santa Priscilla, Roma – Itália. Fonte: Wikipedia.

Durante a perseguição aos cristãos pelo Império Romano, a arte cristã era deliberadamente furtiva e ambígua e, por vezes, era colocada em locais junto com a arte pagã, mas possuía um significado especial para os cristãos.

É provável que tenham existido centros artísticos com estilos próprios, como Alexandria e Antióquia, mas é em Roma que se encontram as primeiras pinturas em catacumbas, locais que serviam de cemitério subterrâneo aos cristãos.

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Pinturas em catacumbas romanas. Século II. Roma – Itália. Fonte: Wikipedia.

Até a declaração de liberdade de culto, a arquitetura cristã não tinha uma tipologia própria, optando por celebrar os cultos em lugares aleatórios. Com o Édito de Milão, Constantino I, apoia a construção de templos próprios, em Roma, Milão e Ravena, de modo a divulgar a nova religião e acolher o crescente número de convertidos.

A grande referência arquitetônica dessa época foi o templo cristão, que tinha duas funções: morada para Deus, como recinto de culto e um local de congregação dos fiéis e suas necessidades específicas.

Estas igrejas primitivas, adotaram um prédio comum em Roma, usado para diversos fins, que era a basílica, após a conversão de Constantino ao cristianismo. Tanto os gregos como os romanos, adotavam um modelo de edifício, denominado “basílica”, administrada pela figura do Basileu, que seria mais ou menos como um Juiz nos dias de hoje, lugar civil destinado ao comércio e assuntos judiciais, que depois passam a ser usadas para fins religiosos, por causa do tamanho e por poder abrigar um grande número de fiéis.

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Basílica de Constantino, Tréveris, Trier – Alemanha. Fonte: Google.

A planta basilical tinha a forma de cruz latina, com três ou cinco naves, arcadas e colunatas cobertas por tetos armados com madeira. Posteriormente, foi adotada também a planta centrada, de influência oriental, de formas circulares, octognais ou de cruz grega, e cobertas com cúpulas.

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Planta em cruz latina das basílicas Paleocristãs. Ravena – Itália. Fonte: Wikipedia.
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Primeira Basílica de São Pedro, com cinco naves, Roma – Itália. Fonte: Google.
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Primeira planta da Basílica de São Pedro, Roma – Itália. Fonte: Wikipedia.

Estas primeiras construções, eram exteriormente muito simplórias e austeras, mas em seu interior, já possuiam alguma decoração pictórica, afrescos ou mosaicos, ricamente coloridos.

Os batistérios (edifícios sagrados destinados à celebração do baptismo), tal como os mausoléus (túmulos), adotaram a planta centrada, com uma das portas orientada a leste e outra a poente, com enormes cúpulas sobre a sala central.

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Batistério Neoniano, paleocristão. Ravena – Itália. Fonte: acervo pessoal.
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Mausoléu de Gala Placídia é um célebre monumento paleocristão de Ravena, na Itália. Fonte: acervo pessoal.

As novas igrejas, desenvolvidas a partir da basílica romana, irão revelar a base do que seria a arquitetura religiosa da Europa ocidental ao longo dos séculos. A basílica clássica, um espaço amplo onde se possibilitava o agrupamento de um grande número de pessoas, podendo satisfazer várias necessidades (tribunal, mercado, audiências, etc), mas nunca servindo o propósito de local de culto.

A basílica paleocristã compõe-se, então, por uma nave central com clerestório de janelas altas, abertas em paredes com arquitraves, cujas colunas fazem a ligação com outras duas naves laterais (colaterais) de menor altura.

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Ilustração da primeira Basílica de São Pedro, Roma – Itália. Fonte: Wikipedia

Todo o espaço segue um eixo longitudinal e converge a oriente na ábside, onde se situa o altar, que é emoldurado por um arco triunfal.

Em algumas basílicas, entre as naves e a ábside, situa-se uma nave transversal, o transepto, que forma um T com a nave central e tetos com travejamento à vista, de madeira.

O desenvolvimento da arquitetura e a emergente necessidade de decorar vastas superfícies, impulsionaram a produção artística dos mosaicos, uma técnica com origens na arte antiga, difundida na Mesopotâmia e com profundas tradições no período greco-romano. O mosaico romano, geralmente utilizado para o revestimento de pavimentos, era feito à base de pequenos cubos de mármore, que se adaptavam bem à reprodução cuidada de pinturas, mas de pouca intensidade cromática.

A arte paleocristã, podendo agora usufruir de maiores bases financeiras e relegando para segundo plano as pinturas à fresco, procurou aperfeiçoar a técnica, para brindar o interior das igrejas, com intensas e vibrantes imagens policromáticas, possíveis pela substituição do mármore por pedaços de vidro colorido.

Este novo material não permitia uma paleta complexa de matizes e a modelação das figuras perdia o seu contato com o mundo real.

Pouco restou destes primeiros mosaicos do paleocristianismo. Crê-se que, sua variedade tenha herdado muito da arte romana, adaptando-a aos novos conteúdos religiosos e isso pode ser observado na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, pela forte geometrização e pelo ilusionismo espacial.

Em oposição à arte romana pagã, o cristianismo baseia o seu conteúdo nos textos sagrados da bíblia, cunhando os manuscritos com ilustrações, as iluminuras, de elevada importância no processo de manutenção e propagação das escrituras. Acompanhando este aumento produtivo está também o desenvolvimento da técnica da produção dos suportes para manuscritos. Até então eram usados rolos de papiro que não permitiam grande liberdade artística no que diz respeito à ilustração. O permanente enrolar e desenrolar do papiro causava a deteriorização da tinta criando–se apenas cabeçalhos com formas simples e lineares. Com a introdução do pergaminho, na século II a.C., que se pode dobrar sem partir, surgem os primeiros livros com encadernações ricas em madeira e decoração em metal e pedras preciosas, os códices (vellum codex), onde a liberdade formal e cromática não encontra os limites anteriormente estabelecidos pelo suporte.

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Iluminuras paleocristãs. Fonte: Pinterest.

Poucas são as iluminuras do paleocristianismo que sobreviveram até aos nossos dias, mas o pouco que se conhece a partir do século V, apresenta uma rica variedade cromática que recebe inicialmente muito da influência da estrutura espacial e geometrização da pintura grecoromana.

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Busto de Constantino I, Imperador romano. Fonte: Google.

Nos dois primeiros séculos, há poucas esculturas e estátuas, uma vez que elas eram mais difíceis de confeccionar, e custavam mais caro, no entanto, a partir do século III surgem diversos exemplos de seu uso pelos fiéis. Embora se tenha renunciado à escultura de escala monumental, o busto de forte tradição clássica mantém-se por um longo período, efetuando-se retratos de carácter formal abstrato e transcendental, de imperadores e altos funcionários do estado.

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Dipticos em marfim, Séculos V e VI. Paleocristão.

De herança clássica, os dípticos de marfim (duas abas com relevos no exterior em marfim e superfície de cera no interior) eram peças pessoais de trabalho decorativo requintado, que serviam de invólucro para guardar documentos ou manuscritos. Refletindo gostos pessoais, estas peças possuiam, muitas vezes, a conjugação de elementos clássicos e simbologia cristã, consoante à fé do autor da encomenda.

Leia também:

Referências:

  • HINDLEY, Geoffrey, O Grande Livro da Arte – Tesouros artísticos dos Mundo, Verbo, Lisboa/São Paulo, 1982.
  • Arquitetura cristã primitiva, Universidade de Pittsburgh, (nd). Retirado de pitt.edu
  • Arquitetura cristã primitiva, história clássica, (sd). Retirado de classichistory.net

2 comentários em “Arquitetura Paleocristã”

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