Sentimentos, Vida real

Não dependa tanto dos outros

Eu sempre fui muito independente.

Desde pequena, queria fazer tudo por conta própria, pra mostrar que eu era capaz, que podia me virar sozinha e me sentir dona da situação. Eu ainda era criança…mas já sabia o que queria e principalmente, o que não queria.

Talvez, pelo fato de ser filha única, com três irmãos homens, eu sentisse essa necessidade.

Não sou feminista, nem quero ser, porque não gosto de rótulos, mas nunca gostei de depender de outros, pra fazer o que quer que fosse.

Naturalmente, nos tornamos mais independentes à medida que crescemos. E eu fui ficando cada vez mais, dona do meu nariz.

Em países europeus e nos Estados Unidos, é muito comum, sair de casa cedo, se afastar dos pais e quaisquer vínculos que, antes eram sustentados na infância. Minhas viagens, têm me ensinado muitas coisas, inclusive: ser independente.

O jovem, às vezes por pressão da família, passa a morar só e é convidado a se sustentar. Esse nunca foi meu caso. Se dependesse de meu pai eu jamais teria saído de casa.

Mas eu queria sair.

No Brasil isso não é uma regra, nem é tão comum.

Tenho amigos solteirões ou separados, que moram com os pais e acho que não pretendem ir embora tão cedo. Acho que algumas pessoas, se permitem ser dependentes, ou gostam mesmo de ser.

Acho que há muitas razões pelas quais devemos ser mais independentes e me refiro a vários aspectos da vida, incluindo financeiro, profissional, emocional, pessoal e até espiritual, afinal religião é que nem time de futebol, cada um tem o seu.

Um dia, um grande amigo, me disse à queima roupa, que eu era orgulhosa e por isso não me permitia deixar outras pessoas me ajudarem em qualquer situação. Mas isso não é verdade.

Sim. Eu admito, sou orgulhosa. Mas não tenho aquele tipo de orgulho doentio, que deixa a gente egoísta ou soberba.

Meu orgulho é uma coisa que me impulsiona, que não me deixa desistir, que me faz correr atrás das coisas, sem ficar depende de outras pessoas. Creio que a independência, aumenta nossa confiança e isso nos faz lidar melhor, com situações difíceis, torna mais fácil a tomada de decisões, enfim, tem um lado mais positivo que negativo, então não tem tanto a ver com orgulho, mas com querer vencer os obstáculos, que a vida apresenta.

Além do mais, pessoas menos independentes, tendem a confiar mais ou “demais” nos outros.

Eu confio nas pessoas, mas confio mais em mim.

Se tem uma coisa que aprendi na vida, foi:

NÃO DEPENDA DEMAIS DE ALGUÉM NA VIDA, PORQUE ATÉ SUA PRÓPRIA SOMBRA TE ABANDONA, QUANDO VOCÊ ESTÁ NA ESCURIDÃO.

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Aqui minha própria sombra tá comigo, mas ainda não é escuridão. Fonte: acervo pessoal.

Isso, nem sempre é uma coisa tão boa. Já perdi as contas de quantas vezes consolei amigos ou parentes, porque se decepcionaram com alguém. Esperaram e não receberam. O problema é que, ninguém tem obrigação de fazer nada pra ninguém. O que leva a gente a ajudar ou apoiar é o sentimento, seja ele qual for.

Quando a coisa vira “obrigação”, não pode ser bom pra nenhum dos lados. Mas, quem sofre mais é quem espera, cria expectativas nos outros. Quando fazemos nós mesmos, só podemos cobrar de nós mesmos.

Ser emocionalmente independente, significa que você pode aproveitar ao máximo suas decisões pessoais e passar por situações desafiadoras da vida sem necessariamente, arrastar outras pessoas para ela. Eu prefiro assim, não só por preferência, ou por ser independente, mas também, pra poupar as pessoas.

Mais independência emocional, significa menos sofrimento e decepção, já que você não depende dos outros para atender às suas necessidades emocionais. No entanto, é bom entender que o apoio de quem você ama é necessário, mas a gente pode obtê-lo sem ser emocionalmente dependente. Captou?

Eu comecei a trabalhar com 18 anos, contra a vontade de meu pai é claro. Mas, ganhar meu próprio dinheiro, me fez dar muito mais valor a minha mesada e entender, como meu pai ralava, pra sustentar uma casa com 4 filhos. Foi um aprendizado incrível.

Quando se trata de independência pessoal, não há satisfação comparável à capacidade de pagar suas próprias contas.

Ser capaz de pagar seu próprio cinema, ou aquela roupa, que você paquerava a tempos, sem precisar explicar, pedir, implorar, não tem preço. Quer dizer, tem preço sim, mas foi você que pagou, com o seu suor.

Apesar da satisfação em trabalhar, concluí que meu pai tinha razão. Deixei o trabalho e fui fazer Arquitetura.

Tomar as próprias decisões, não quer dizer que a gente tem que esquecer o mundo e as pessoas, porque nossas decisões podem e vão impactar emocionalmente alguém. E esse alguém, pode ser mega importante pra gente. Meu pai sempre foi a mais importante de todas.

Quando eu decidi que não queria festa de 15 anos, com pompa e circunstância, frustrei meu pai. Eu sou filha única e o sonho da vida dele, era dançar a primeira valsa comigo. Mas, com muito jeito, com horas de conversa e com muita insistência, finalmente consegui convencê-lo de que, fazer uma excursão no Nordeste brasileiro, me faria muito mais feliz, que gastar um monte de dinheiro para que outros curtissem e eu, nem tanto. Além disso, nós poderíamos dançar a valsa em outra ocasião, como fizemos, na minha formatura.

Foi aí, que peguei o gosto por viajar, a coisa que mais amo fazer na vida.

Ser mais independente emocionalmente, melhora nossas relações pessoais com amigos, familiares, colegas de trabalho e até estranhos, com quem a gente convive. E tenho convivido com muitos.

A gente tem mais controle das nossas emoções e saiba que, as reações de uma leonina, são 8 ou 80.

Eu estou quase 95% no 80, divertida, criativa, conversadeira, alegre, de bem com a vida, mas quando chego nos 5% do 8, melhor mudar de planeta, porque sou impulsiva, mal humorada, direta, às vezes, hostil, objetiva e 100% sincera, coisa que nem todos suportam. Tá vendo a importância da independência emocional? Posso controlar o “Incrível Hulk” dentro de mim.

Mas calma gente, não sou um monstro tá?

Também não sou meiga, nem fofa, nem melindrosa. Às vezes um pouco dramática, mas em 5 minutos tô normal. Sou muito realista, pra perder tempo com DRs e viagens.

Viajar, só pra outros países, cidades e se um dia for possível, pra outros planetas.

Ser independente, não significa ser irresponsável e sair fazendo o que dá na telha, mas acredito que nos faz enxergar além do horizonte e ver milhares de oportunidades. Óbvio que devemos tomar precauções, pra não sermos enganados, iludidos, mas também não precisamos andar dentro de uma armadura, como se fôssemos para uma guerra, apesar do mundo estar parecendo um campo de batalha, atualmente.

Mas a gente pode optar por armas diferentes, como: bom senso, empatia, equilíbrio e simplicidade. Essa fórmula tem dado certo.

Uma vez li uma frase que me deixou profundamente pensativa: “Gosto do impossível, porque lá a concorrência é menor”.

Será? Não vivo a vida disputando nada, mas não tenho medo de concorrência.

Vivo no mundo real, não tenho nenhuma característica de Alice, no país das Maravilhas, muito menos devaneios, com coisas surreais e impossíveis, se é que o impossível existe. Vai ver é porque, ninguém ainda tentou.

Sou o hoje, o agora. Independente, mas muito pé no chão e cabeça no lugar. “ajuizada”, como diriam meus avós.

Achei esse pensamento de Nietzsche, folheando uns guardados, mas não sei se é minha cara, na íntegra:

Forte, sou, quase sempre. Audaciosa quando é sensato. Aventureira, parece, mas não sou. Pra falar a verdade, nem sei se entendi completamente o que Nietzsche quis dizer…muita viagem pra minha cabeça.

Mas, pode ser que esse pensamento signifique muito para alguém. Então, #ficaadica

” A independência é o privilégio dos fortes, da reduzida minoria que tem o calor de auto-afirmar-se. E aquele que traia de ser independente, sem estar obrigado a isso, mostra que não apenas é forte mas também possuidor de uma audácia imensa. Aventura-se num labirinto, multiplica os mil perigos que implica a vida; se isola e se deixa arrastar por algum minotauro oculto na caverna de sua consciência. Se tal homem se extinguisse, estaria tão longe da compreensão dos homens que estes nem o sentiriam nem se comoveriam em absoluto. Seu caminho está traçado, não pode voltar atrás, nem sequer lograr a compaixão dos seres humanos”.

Friedrich Nietzsche

Leia também:

Um ótimo dia pra todos os independentes, dependentes e os indecisos.

Carpe Diem!

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Texto: Lila Amaral.

9 comentários em “Não dependa tanto dos outros”

  1. Adorei a parte do incrível Hulk kkkk
    Mas concordo muito com você, quando realmente entendemos que somos os únicos responsáveis por nós mesmos a vida fica muito melhor e, inclusive, penso que quanto mais independente somos, mais a nossa relação com as outras pessoas melhora e fica mais saudável.

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    1. É a mais pura verdade. Algumas pessoas me interpretam mal, porque sou prática e tento ao máximo, agir com a razão. O fato de ser independente muito cedo, me fez viver de forma mais fácil, sem cobranças, sem estresse.

      Curtido por 1 pessoa

      1. Nem todo mundo entende, mas sinceramente eu acho que é o jeito mais confortável de se viver. Do meu ponto de vista, ser dependente é muito cansativo e trás muito mais chateações e desapontamentos…. Mas tem gosto para tudo no mundo né 🤷🏼‍♀️

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  2. Penso como você. Acrescentaria que nas viagens (coisa que faço também) aprendi a não ter controle- sobre nada. Tudo pode acontecer. Por mais independente que sejamos – e somos, o voo atrasa, a mala é extraviada e… preencha a lacuna 😉 , mas o fato de ter autonomia ajuda, por assim dizer. Independência não é controle absoluto, não e? Ótimo texto!

    Curtido por 1 pessoa

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