Arquitetura, Turismo

Arquitetura Bizantina

O grande Império Bizantino, começou com a queda do império Romano, (478d.C.), que se dividiu em dois: império do Ocidente, com capital em Roma e o império do Oriente, com capital em Constantinopla. A capital do Império Romano do Oriente manteve-se íntegra por 11 séculos.

O florescimento do Império Bizantino se deu com o imperador Justiniano I a partir de 527 d.C.. Foi em seu governo que ocorreu a restauração da grandeza romana: ele conseguiu recuperar grandes extensões de territórios perdidos por Roma como a península da Itália, o sul da península Ibérica e o norte da África.

Foi também sob Justiniano I que o Império Bizantino deixou legados vivos até hoje. Físicos, como a Basílica de Santa Sofia, em Constantinopla (atual Istambul); e imateriais: foi o imperador quem recodificou o Direito Romano, código de leis que ajudou a fundamentar muitos estados modernos.

O nome se deve ao fato do imperado Constantino, ter mudado a capital para a cidade grega de Bizâncio, e como a cultura popular ainda era grega, ficou conhecido como Império Bizantino.

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Mapa do Império Bizantino. Fonte: Pinterest.

A economia do Império Bizantino, foi toda baseada na agricultura, mas principalmente, no comércio de especiarias, sendo a maior fonte de renda do império.

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Comércio de especiarias. Fonte: Pinterest.

Sua posição estratégica entre Ásia e Europa serviu de impulso para esse desenvolvimento comercial, uma vez que se localizava na passagem do Mar Negro para o Mar Mediterrâneo (Estreito de Bósforo). Estreito é um acidente geográfico que separa duas massas continentais, ligando duas massas oceânicas, através de um pequeno canal. O Estreito de Bósforo é o canal que liga o Mar de Mármara (e sua extensão, o Mar Mediterrâneo) com o Mar Negro, separando a atual Europa, da Ásia. Assim, a cidade onde ele se encontra, atual Istambul e antiga Constantinopla, (maior cidade da Turquia), é a única do mundo a se localizar em dois continentes diferentes ao mesmo tempo.

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Posição do Estreito de Bósforo. Mapa da atualidade geográfica. Fonte: Pinterest.

A organização política do Império Bizantino era monárquica hereditária, teocrática e cesaropapista, (essa palavra consiste na junção de outras duas: caesar e papa, isto é, respectivamente, a autoridade política máxima, que era o césar, e a autoridade religiosa máxima, que era o papa. onde a Igreja se submetia ao Estado.

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Imperador Justiniano ( 527 a 565 d.C). Fonte: Google.

O governo era centralizador e havia um controle rígido do Imperador sobre tudo e todos. Seu centro político era Constantinopla, pois comandava uma vasta região e muitos povos.

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Muralhas de Constantinopla 674—678 (1 342 anos).Constantinopla (atualmente Istambul,   Turquia). Fonte: Wikipedia.

O ano de 457d.C., marca o início da Dinastia Leonina. Entretanto, em 527, o Império de Justiniano foi o que mais se destacou.

Só na cidade de Constantinopla viviam cerca de um milhão de pessoas, sem falar nos milhares que residiam em Tarso, Nicéia, Edessa, Tessalônica e outros grandes centros urbanos. Os mercadores, banqueiros e industriais igualavam-se aos grandes proprietários de terras, como membros da aristocracia.

Os ricos viviam elegante e comodamente, cultivando como arte superior a satisfação de gostos opulentos. Uma grande parte da atividade industrial da nação era absorvida na produção de artigos de luxo para atender às necessidades das classes mais ricas.

Essa lista compreende apenas alguns poucos artigos da produção das fábricas e oficinas: magníficas vestimentas de lã e seda entrelaçada com fios de ouro e prata, tapeçarias coloridas, primorosos artefatos de vidro e porcelana, evangelhos com iluminuras, sapatos bordados com pedras preciosas e jóias com vários tipos de pedras e ouro.

A sociedade do Império Bizantino era rigidamente hierarquizada e aristocrática e era dividida em classes:

  • Elite – composta por grandes comerciantes, donos de oficinas manufatureiras, banqueiros, alto clero e funcionários destacados.
  • Classe remediada – formada por artesãos, pequenos comerciantes.
  • Trabalhadores pobres – Era a maioria da população, composta dos trabalhadores das manufaturas, os servos dos latifúndios e os escravos.

Embora a história bizantina tenha abrangido um período equivalente ao da Idade Média, o padrão cultural era bem diferente da Europa Ocidental. A civilização bizantina possuía um caráter muito mais oriental. Não só Constantinopla, mas também grande parte dos territórios do Império, que se localizavam fora da Europa, como: Síria, Ásia Menor, Palestina e Egito.

A cultura Bizantina estava, totalmente relacionada com o Cristianismo, religião oficial e obrigatória em todo território.

A arte bizantina era uma arte cristã, de caráter cerimonial e decorativo, em que a harmonia das formas, fundamental na arte grega, foi substituída pela imponência e riqueza dos materiais e dos detalhes.

Ela desconhecia a perspectiva, volume ou profundidade e empregava em profusão as superfícies planas, onde sobressaíam os ornamentos luxuosos, geralmente em ouro, que representava o maior bem existente na Terra.

A pintura e a escultura bizantinas, não se sobressaíram, pois encontraram um forte obstáculo no movimento iconoclasta, cujos membros eram conhecidos como “destruidores de imagens”, pregando a proibição fo uso de imagens nas práticas religiosas, por temor que estas despertassem ações pagãs nos fiéis.

Na pintura, eram usadas algumas técnicas, como: têmpera sobre madeira e afrescos (pintura sobre o cimento, ou gesso).

A tábua com os Santos Sérgio e Baco, procedentes do convento de Santa Catarina no Sinaí, hoje está no museu de Kiev (Rússia).

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Tábua com os Santos Sérgio e Baco, tempera sobre madeira, século VII,Museu de Kiev, Rússia. Fonte: Google.

Encáustica (ícones feitos em cera) e os mosaicos (feitos com pequenos pedaços de vidro ou pedras), eram utilizados, principalmente no período Justiniano, para cobrir paredes internas e externas de igrejas e templos. Além de enaltecer a arquitetura, as imagens construídas com o mosaico tinham a intenção de orientar os cristãos. Eram geralmente imagens da vida de Cristo.

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Reis Magos, século VI, mosaico da Igreja de Santo Apolinário Novo, Ravena, Itália.

Na escultura, o culto à imagem do imperador e a o princípio da frontalidade aparecem como características principais das obras, que eram divididas em: estátuas grandes, feitas de pedra ou mármore, e os marfins, obra em baixo-relevo, que tinham valor comemorativo-simbólico.

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Virgem com medalhões de anjos e santos. Tríptico de marfim, século X. British Museum, Londres.

Inspirada e guiada pela religião, a arquitetura alcançou sua expressão mais perfeita na construção de igrejas e templos. Foi nas edificações religiosas, que se manifestaram as influências absorvidas pela arte bizantina.

Houve um afastamento da tradição greco-romana e sob influência da arquitetura persa, novas formas de templos, diferentes dos ocidentais, iniciaram a construção das igrejas de planta de cruz grega (com quatro braços iguais), cobertas por cúpulas (que procuravam reproduzir a abóboda celeste) em forma de pendentes, conseguindo-se assim fechar espaços quadrados com teto de base circular.

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Planta de cruz grega. Fonte: Google.
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Modelo de cúpula Persa, inspiração para cúpulas Bizantinas. Fonte: Pinterest.

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Santa Sofia é a obra prima da arquitetura bizantina, construída por ordem de Justiniano na direção de Jerusalém. Atual cidade de Istambul, na Turquia, é uma Igreja de planta centrada, com uma cúpula imensa no espaço central, medindo, trinta e um metros de diâmetro e cinqüenta e quatro metros de altura.

A cúpula descansa sobre pilares de mármore, parecendo levitar no espaço. Em volta do tambor (parte mais baixa da cúpula), abrem-se quarenta janelas que simbolizam os quarenta dias que Cristo esteve no deserto.

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Igreja Bizantina de Santa Sofia, Istambul, Turquia. Fonte: Google.

No interior da igreja, toda noção de peso desaparece. A cúpula parece flutuar, assentada num anel luminoso de janelas justapostas. O interior da igreja é totalmente ornamentada com belos mosaicos, marfins e pedras preciosas. Foram utilizadas na decoração, cerca de 18 toneladas de ouro.

O telhado é feito de telhas fabricadas com calcário poroso da ilha de Rodes. Cada telha trazia cânticos do Livro dos Salmos. As quatro colunas internas de mármore foram trazidas por ordem de Justiniano do templo de Diana em Éfeso, medem doze metros de altura.

Outros exemplares de maior importância da arquitetura bizantina, além de Santa Sofia, pelo mundo.

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Veneza, Itália. Fonte: Google.
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Istambul, Turquia. Fonte: Google.

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Ainda no séc. VI, Justiniano realizou obras públicas e fortificações. Constantinopla contava com palácios imperiais, hipódromos, circos, teatros, aquedutos e arcos. O reservatório subterrâneo de Bir-Direk contendo mil colunas, foi construído por Justiniano para abastecer de água a cidade de Constantinopla.

Na história da arquitetura religiosa desta época dois progressos se assinalaram: o Campanário e o Batistério.

O Campanário deu origem às torres das igrejas medievais. O batistério foi de começo uma construção à parte, ligada a igreja principal da cidade e era apenas usado para o Batismo. Circular ou octogonal, era construído como os templos menores ou os túmulos romanos.

Numerosos edifícios pagãos foram utilizados pelos cristãos, o que explica a fusão das arquiteturas. Poucos batistérios foram construídos depois do séc. XI, quando tornou-se hábito colocar a pia batismal no vestíbulo do templo.

O fim do Império Bizantino aconteceu em 1453, com a derrubada de Constantinopla pelos turco-otomanos. Marcou também o encerramento da Idade Média e o início da Era Moderna.

O sucesso das campanhas contra os turcos gerou atrito entre o Império Bizantino e a Europa Ocidental. As animosidades chegaram a tal ponto que os cruzados decidirem mudar o foco da Quarta Cruzada, que ocorreu entre 1199 e 1204 d.C.. Em vez de tentar retomar Jerusalém, as tropas decidiram conquistar e saquear Constantinopla, obrigando os bizantinos a se exilarem em Nicéia, importante cidade reconquistada dos turcos.

A retomada da capital só ocorreu em 1261. E isso teve um custo econômico enorme. Também permitiu que os turcos voltassem a conquistar influência na região. A partir do Século 14, o Império Bizantino murchava ao mesmo tempo que o Império Otomano crescia e ganhava força. O final da história aconteceu em 1453, quando, após um cerco de 53 dias, o sultão Mohammed II, o Conquistador, invadiu Constantinopla e eliminou Constantino XI, o último imperador bizantino.

Leia também:

Referências:

  • BURNS, Edward McNall. História da Civilização Ocidental. Porto Alegre: Globo, 1964.
  • GUENON, René. Os Símbolos da Ciência Sagrada. São Paulo: Pensamento, 1989.
  • ANGOLD, Michael. Bizâncio: A Ponte da Antigüidade para a Idade Média. São Paulo: Imago, 2002.
  • LUCCHESI, Marco. Bizâncio. São Paulo: Record, 1996.

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