Curiosidades, Vida real

Falando o Baianês

Eu sou baiana da gema, Soteropolitana!

A Bahia e Salvador, têm muitas coisas bonitas pra ver e muitas coisas legais pra fazer, mas ver um grupo de baianos conversando é simplesmente, surreal.

É tão surreal, que criaram um dicionário de Baianês, que é vendido em todas as livrarias da cidade. Mas, você também pode comprar online, pela Amazon.

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Dicionário de Baianês.

Eu sei que cada estado do Brasil, tem suas peculiaridades, principalmente, quando se fala de sotaque e vocabulário. Só não sei se cada estado tem um dicionário exclusivo, de termos e expressões, que só quem é da terrinha entende.

Quem assistiu o filme Ó paí ó, pode ter uma ideia de como o baiano fala. Se não assistiu, assista, porque é muito engraçado.

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Cartaz do filme. Fonte: Wikipedia.

Mas, voltando pro nosso vocabulário, segue aí essas dicas, pra quando você for a Salvador, não pagar mico.

BAIANÊS:

A Migué – À vontade, de forma esculhambada.

A Pulso – À força.

À Toa – Parado, de bobeira.

Abafa-banca – cuba de gelo com sabor de sucos de frutas.

Abestalhado – bobo.

Abrir o Gás – Se mandar, ir embora.

Abusar – Perturbar, encher o saco.

Agoniado – Aflito, apressado, estressado.

Agreste – Bruto, grosso, mal educado.

Água-Dura – Cachaça.

Amassado (Roupa) – Amarrotado.

Amigo Secreto – Amigo oculto.

Aoooonde – De jeito nenhum. (“o Vitória vai ganhar do Bahia.” “Aoooonde?!”)

Arabaca – Carro velho, caindo aos pedaços.

Arerê – Confusão, bafafá.

Armengue – Improviso, gambiarra.

Arraia – Pipa, de soltar no ar.

Arreliar – Fazer pouco caso (para os paulistas = zoar).

Arribar – Levantar, ir embora.

Arrombado – Fudido.

Assistir (o jogo) – Ouvir pelo rádio.

Assuntar – Prestar atenção.

Auê – Zorra, confusão.

Ave Maria! – Interjeição pra qualquer situação.

Avexado – Apressado.

Avionado – Disparado, correndo muito.

Azuado – Perturbado.

Baba –  Racha, pelada, jogo amador de futebol.

Badogue – Estilingue.

Badogueira/baranga – Mulher muito feia.

Bagonhar – Segurar firme, tomar algo na marra.

Baleado – Queimada (jogo infantil).

Banca – Aula particular. (“meu filho faz banca de português”)

Banho-de-Cuia – Lençol no futebol.

Barão/ barona – Gente rica, milionário.

Basqueteira: calçado tipo tênis, com cano alto.

Bater no fundo – Bater na traseira de um carro.

Bestagem – Bobagem, babaquice.

Binga – Pênis.

Boca-de-lobo – Bueiro.

Boca-de-se-fuder – Lugar perigoso.

Bocó – Otário.

Boiado – Cansado.

Bolacha – Biscoito.

Bolinho-de-estudante – Bolinho de tapioca (típico da Bahia).

Bom – Grande. (“Aquele é um bom sacana”)

Bora? – Vamos? (“Bora sair?”)

Borboleta – Torniquete de ônibus.

Borimbora – Vamos embora.

Botar pilha – Botar fogo, estimular briga.

Bozenga – Mulher feia.

Bozó – Despacho de macumba, trabalho de candomblé.

Brau (Brown) – Cafona, de mau gosto. (Agora vc sabe de onde vem Carlinhos Brown )

Brega – Zona, puteiro.

Brôco – Desorientado, desordenado, velho esclerosado.

Bufa fria – “Você é Bufa fria!”, um cara muito zé-mané.

Bujão – Gordo.

Bulir – Mexer, tocar. (“Não bula aí, menino!”)

Buzu – Ônibus.

Cacareco: bagulho, objetos sem valor, velharia.

Cacete armado – Confusão.

Cacetinho – Pão francês.

Cachação – Tapa na cabeça ou no pescoço.

Caco – Vaso de planta.

Café-com-leite – Criança que entra na brincadeira, mas só pra participar, sem ganhar ou perder, pessoa inexperiente.

Cair Matando – Comer tudo, dar porrada.

Caixão e Vela – Morreu aí, não há mais o que fazer. Já era.

Calçola – Calcinha.

Cambito – Perna fina.

Campado – Fudido. (“Tô campado!”)

Canetar – Estudar pra caramba, entregar alguém, dedurar, multar.

Canguinha /casquinha – Pão-duro, mão de vaca.

Canguinhagem /casquinhagem – Pão-durismo.

Canjica – Creme feito com milho verde, no São João.

Cão chupando manga – Diz quando alguém é bom em alguma coisa. (“Romário é o cão chupando manga.”)

Capote – Casaco de frio, carne com capa de gordura por cima.

Caqueiro – Vaso de planta.

Carecer – Precisar (“Carece não, viu?”)

Caroara -Tremedeira nas pernas.

Carteira – Mesa de trabalho, de escola.

Catiguria – diz de quem tem habilidade, categoria.

Certa feita – Uma vez. (“Certa feita eu ia passando por ali…”)

Chamar Raul -Vomitar.

Chegue à frente – Entre, participe da conversa.

Chegue mais – Venha cá.

Cheguei – Qualidade de um objeto de cor viva, que chama atenção. (“Aquele camisa rosa é cheguei!”)

Cheio de guéri-guéri – Cheio de onda, presepeiro.

Cheio do pau – Bêbado.

Chiar – Reclamar.

Chibiu – vagina.

Chico – Abreviatura de chicote.

Chicote – Ânus (“Vá tomar no chicote, porra!”)

Chieiro – Que reclama de tudo, que enche o saco.

Chororô – Choradeira. (“Quando eu fui embora, foi o maior chororô.”)

Chupa-molho – Carne de Segunda com osso.

Classificador – Pasta escolar, usada pra guardar papéis.

Coberta – Lençol.

Cocada-de-amendoim – Pé-de-moleque.

Cocó – Palavra que vem da abreviação de crocodilo, designa pessoa não confiável, traíra, hipócrita.

Coisinha – Quando não se sabe o nome de alguém: (“Ô coisinha, como é seu nome?”)

Colé – E aí?, Tudo bom? (corruptela “de Qual é”).

Colé de mermo mermão? – Qual é a boa meu irmão?

Comer água – Beber (bebida alcoólica).

Comer barro – Comer mosca, vacilar.

Como a porra – Pra caramba. (“Esse cara fala como a porra!”)

Como quê – Demais, muito (“O café tá quente como o quê!”)

Cordão – Barbante.

Corrente – Gente fina, amigo de fé (“Rodolfo é minha corrente!”).

Correr a casa – Visitar, conhecer a casa.

Corropio – Rodopio.

Couro comeu – Houve briga. (“…aí o couro comeu!”)

Cozinhar o galo – Enrolar, fazer corpo mole.

Creca – Ferida infectada, pontos de ferrugem em carro.

Crendeuspai! – Creio em deus pai!, usado como “minha nossa, sai pra lá!”.

Criar cabelo – Deixar o cabelo crescer.

Criatura – Pessoa, alguém. (“Ô criatura, vá buscar o carro…”)

Culhuda – Mentira.

Culhudeiro – Mentiroso.

Curiar – Olhar com curiosidade.

Dada – Simpática, agradável, prestativa. (“Alice é uma pessoa muito dada.”)

Daqui pra – Até. (“Daqui pra sexta-feira eu te entrego.”)

Daqui prali – Logo, de imediato. (“Esse cara arruma confusão daqui prali.”)

Dar broca – Dar porrada.

Dar nome – Falar palavrão.

Dar o gás – Se mandar, sair de fininho.

Dar ozadia – Dar espaço para, dar uma brecha (“Deu ozadia… agora todo dia, ele vai querer um pouquinho.”)

Dar rasteira em cobra – Cambalear. (Bêbado)

Dar testa – Enfrentar, reagir à altura.

Dar trela – Dar corda, alimentar uma conversa; dar moleza.

Dar um agrado – Dar gorjeta.

Dar um cheiro – Dar um beijo, fazer carinho.

Dar um nó – Driblar no futebol.

Dar um salto na cidade – Ir à cidade.

Dar um tiro – Pedir preço muito alto por alguma coisa. (“Pô, quando eu perguntei quanto era, o cara me deu um tiro.”)

Dar um zignal: fugir, deixar alguém esperando e não dar notícias.

Dar uma dura – Dar um corte em alguém.

Dar uma regulagem – Dar um esporro, chamar a atenção.

Dar uma roubada – Dirigir um pequeno trecho na contra-mão.

De bicuda – o futebol, dar um chute de bico, chutar muito forte.

De botuca – Olhando, espiando.

De Hoooooje – Há muito tempo. (“De hoje que eu tô aqui esperando!”)

De hoje a oito – Semana que vem.

De hoje a quinze – Daqui a quinze dias.

De junto – Perto, próximo.

De marca – Objeto de loja ou griffe famosa.

De menor – Menor de idade.

De prega – À toa, coçando o saco.

De prima – No futebol, chutar de primeira.

Defronte – Em frente.

Deixe estar! Ou Destá – Cé vai ver!, Vou me vingar!

Demorô! – Vamos agora!

Desacerto – Azar. (“Foi o maior desacerto da vida dele!”)

Desapartar – Separar briga.

Desassuntado – Sem vergonha.

Descaração – Pouca vergonha.

Desencher – Esvaziar.

Desmilinguido – Desconjuntado.

Despelar – Descascar a pele queimada de praia.

Despirocado – Maluco, louco, azuado.

Despongar – Descer do ônibus, trem ou bonde.

Destrambelhado – Desarrumado, desajeitado.

Deu revertério – mudou o rumo da coisa.

Deus é mais! – Nossa, sai pra lá!

Digaí! – Como é que vai?

Dor de corno – dor de cotovelo.

Dor de facão – Dor no baço, depois de algum esforço.

Dos teeeeempos! – Há muito tempo.

Doze horas da noite – Meia-noite.

Doze horas do dia – Meio-dia.

É ninhuma! – Pode deixar comigo.

É taca! – É foda!, É difícil!

Eclér – Zíper.

Em Comunicação – Quando o telefone está ocupado.

Embecado – Muito arrumado, bem vestido.

Empata o baba – pessoa que atrapalha.

Empencado – Acompanhado de um monte de gente.

Empesteado – Cheio de alguma coisa, infestado. (“Ópaisso, Daniela tá com a cabeça empesteada de piolho!”)

Empinar arraia – Soltar pipa.

Encanador – bombeiro hidráulico.

Encanar – Dedurar.

Encardido – Muito sujo.

Encurtar conversa – Resumir, finalizar.

Engarguelar – enforcar.

Enricar – Ficar rico.

Enrolar – Embrulhar. (“Enrola pra mim dois pacotes de manteiga.”)

Enterrar o baba – No futebol quando alguém não joga bem e é culpado pela derrota, quando alguém atrapalha outra pessoa em alguma coisa.

Entupido – Com prisão de ventre.

Enxame de gente – Muita gente.

Escarreirado – Apressado.

Esmolér – Mendigo.

Espanta-nigrinha – Perfume barato.

Esparro – Fria. (“O cara entrou no maior esparro!”)

Essa menina – Tipo de tratamento vocativo. (“Ô essa menina venha cá!”)

Fábrica – Escola pagou-passou.

Fação – Muito fácil.

Fala mais do que a nega do leite – Fala muito.

Falapau – Farra, cachaçada.

Falar ozadia – Falar palavrão ou de coisas obscenas.

Farda – Uniforme escolar.

Fatia-de-parida – Rabanada.

Fátima – Esmalte de unhas.

Fazenda – Pano, tecido.

Fazer enxame – Juntar gente, fazer estardalhaço.

Fazer figa – Causar inveja, torcer.

Fazer nero – colocar touca para alisar o cabelo.

Fazer o balão – Fazer o retorno no trânsito.

Feito a porra – Muito. (“Esse cara come feito a porra!”)

Ficar de recuperação – Ficar de Segunda época, prova final na escola.

Fichinha – Coisa fácil, pessoa inexperiente ou fraca em alguma coisa.

Filar aula – Matar, cabular aula.

Fim-de-linha – Ponto final, área nas cercanias do ponto final do ônibus.

Fiofó – Ânus.

Foi mal – Desculpe.

Forrar o livro – Encapar o livro.

Frasco – Qualquer tipo de recipiente de vidro.

Freguês – Usado tanto para o vendedor como para o comprador. (“Ô freguês, me dê um caranguejo aí.”)

Fren – Amigo, cara, corruptela de friend . (“E aí, mai fren!”)

Frete – flerte, paquera.

Fubuia – Cerveja, cachaça, cachaçada.

Fudeu Maria-Preá – Fudeu tudo, fudeu geral.

Fuleiro – Simples, algo com poucos recursos, baixa qualidade.

Funcionar o motor – Ligar o motor do carro.

Furico – Ânus.

Gabiru – Gente da roça, caipira.

Galalau – Magro e alto.

Galego – Louro.

Galera do mau – A turma, a patota.

Galinha gorda – Jogar prendas pra cima, pra molecada disputar.

Garapa – Qualquer refresco muito doce.

Gás – Querosene.

Gasosa-de-limão – Refrigerante. (soda limonada)

Geladinho – Sorvete no saquinho.

Gororoba: diz-se da comida simples feita de improviso. Comida ruim.

Grade – Caixa de cerveja.

Grafite – Lapiseira.

Grande – Cara (vocativo) (“Ô grande, dê uma ajuda aqui.”)

Graxeira – Empregada doméstica.

Guaraná – Qualquer refrigerante. (“Me dê um guaraná de limão aí!”)

Humilhante – Ônibus.

Idéia de jerico – Idéia idiota.

Inhaca – Cheiro ruim do sovaco.

Interromper (o carro) – morrer o carro.

Invasão – favela.

Jaburu – Mulher feia.

Jante – Roda de carro.

Jegue-manso – Come-quieto.

Jogar um barro – Cagar.

Jóquei de cabrito – Pessoa de baixa estatura.

Lá ele – Outra pessoa, não eu.

Lá na casa da porra – Longe pra caramba.

Lá no jébi-jébi – Longe pra caramba.

Lambisgóia – Mulher magrela e sem graça.

Lástima – Interjeição diante de  algo deprimente ou execrável.

Lapiseira – Apontador.

Lascar – Rasgar.

Latrina – Vaso sanitário.

Lavanderia – Tanque.

Lavar a jega – Se dar bem, lavar a égua.

Lenhado – Em má situação, em mau estado, ferrado.

Ler de carrerinha – Ler rapidinho.

Lero – Ironia, gracinha, provocação.

Leseira – Preguiça.

Leso – Bobo.

Levar baculejo – Ser revistado pela polícia.

Cença aí – Com licença.

Lisar a roupa – Passar a roupa.

Liso, leso e louco – Duro, sem um puto, sem grana.

Lorde – Arrumado, educado.

Magoar – Machucar um lugar já machucado, zombar.

Mais – Com. (“Eu vou mais Paulo pra Morro de São Paulo.”)

Malassado – Mal passado.

Malmente – Mal. (“Ele malmente sabe falar português, que dirá inglês!”)

Mamão – Mané, bobão.

Mangaba – Muito fácil. (“Aquela prova tava mangaba.”)

Mangangão – Autoridade, manda-chuva.

Mangar – Gozar, sacanear. (“Você tá mangando de mim?”)

Mangue – Confusão.

Mão-de-figa – Pão-duro.

Marreteiro – Caloteiro, trambiqueiro, aquele que deixa tudo pra depois.

Massa! – Jóia!, Legal! .

Matracar – Falar mal da vida dos outros.

Mealheiro / Meaeiro – Cofrinho de dinheiro.

Médio – Mais ou menos.

Meeiro – Mais ou menos.

Melar – Sujar, atrapalhar o desenrolar de um campeonato no futebol.

Merenda – Lanche.

Meter bronca – Dar um pau, brigar.

Meu bom – Meu chapa.

Meu branco – Meu chapa, meu amigo.

Meu nego – Meu filho, meu chapa.

Meu pai – Cara. (“Digaí, meu pai!”)

Meu pai / Minha mãe – Pai / mãe. (Painho e Mainha).

Micareta – Carnaval fora de época.

Minha Pró – Professora.

Minha tia – Vocativo para alguém mais velho. (“Ô minha tia, dá licença aí?”)

Misse – Grampo de cabelo.

Miuçalha – Miudeza.

Mocó – Sacola de palha.

Mocofiado – Escondido.

Mocorongo – Desajeitado.

Mondrongo – Coisa mal feita, de acabamento ruim, cara forte e desajeitado.

Montar bicicleta – Andar de bicicleta.

Morcego – Aquele que se pendura em ônibus.

Morreu aí: diz-se quando o papo está encerrado.

Mossa – Amasso do carro (ou de lata).

Motô – Motorista de ônibus.

Muriçoca – Mosquito, pernilongo.

Mutuca – Mosquito.

Muvuca – Festa desorganizada, confusão, muita gente.

Na biela – Sozinho, sem namorado.

Na intenção – No pé de alguém, afim de conquistar ou perturbar.

Na lama – Na pior.

Na levada – Na onda, no ritmo. (“Vamo galera na levada do pelô”).

Molequeira – De brincadeira.

Na moral – Numa boa; vá lá… (“Meu pai, me dê dinheiro aí, na moral!”).

Na paleta – A pé.

Na pindaíba – Na pior, sem grana.

Na pipoca – Brincar o carnaval sem ser em bloco.

Na prega – Sem fazer nada.

Na tora – À força, obrigado.

Não contar conversa – Não perder tempo.

Não tem (…) certa – Não tem nada que vá me impedir. (“Não tem chuva certa que acabe com minha praia.”).

Não tem errada – Não há como errar.

Natoralmente – Na tora, de forma forçada, na marra.

Nestanti – Agora há pouco, neste instante.

Nico – Mico.

Nigrinha – Alguém de baixo nível.

Nigrinhagem – Baixaria, baixo astral.

Nó-cego – Pessoa complicada.

Num tô cumeno nada disso – Nem vem que não tem, não tô acreditando nessa história.

Ói sua vida! – Olhe lá!, tenha cuidado!

Ói, me deixe, viu? – Por favor não toque nesse assunto, tá?

Olho grosso – Invejoso, olho gordo.

Ópaisso! / Ópraisso! / Ópraí! / Ópaí-ó! – Olha só!

Oreba – Otário, lerdo.

Orla – Beira-mar.

Ouro da Babilônia – coisa muito legal.

Ôxe! Oxente! – expressões de espanto, surpresa.

Ozadia – Libertinagem, sacanagem.

Painho / Mainha / Voinho / Voinha – Pai / mãe / vô / vó.

Paletada – Caminhada longa.

Paleteiro – Quem caminha muito.

Palitinho (jogo) – Porrinha.

Pandeiro – Bunda.

Pano-branco – Mancha branca na pele.

Papeira – Cachumba.

Paroano – Ano que vem.

Passadeira – Travessa de cabelo, tiara.

Passado (comida) – Estragado.

Passar batido – Passar ligeiro, passar sem notar.

Passarinha – Baço de boi frito em fatias.

Passeio – Calçada.

Patapata – Escova de cabelo daquelas que enfia o dedo, pra cabelo crespo.

Pau viola – Grande briga na mão, sem uso de pedaços de pau ou qualquer objeto.

Peba – De má qualidade, não original.

Pé-de-gente – Pessoa. (“Não apareceu nenhum pé-de-gente naquela festa.”).

Pé-de-planta – Muda de planta.

Pedir pra morrer – Sentir uma vergonha imensa.

Pegar no pé – Encher o saco, perturbar, ser insistente.

Pegar no tombo – Empurrar o carro pra pegar.

Pegar uma aposta – Fazer uma aposta.

Peguento – pessoa grudenta, chata, que pega no pé.

Perainda – Espera aí.

Alpercata – Sandália.

Periquito – Pipa, papagaio de papel.

Pescar – Colar na prova ou exame (escola).

Picado – Rápido, apressado.

Picar – Arremessar algo, jogar. (“Vou picar isso em sua cara!”)

Picuinha – Detalhe sem importância, frescura, intriga.

Picula (brincadeira) – Pique esconde.

Pinguço – Bêbado.

Pintão – Menino pertubado, arteiro.

Pintar – Perturbar, fazer arte. (“…e os meninos, pintando muito?”)

Plantar na testa, colocar chifre em alguém.

Pó – Talco.

Pocar – Furar, estourar. (“Nos aniversários a criançada sempre poca as beixigas.”)

Pomba lerda – Lento, bobo.

Pongar – Pegar carona, embarcar na idéia de alguém, pegar ônibus ou trem em movimento.

Pontinho – Embaixadas no futebol.

Por vida – Direto, sempre, constantemente. (“Ele tem por vida ficar olhando as meninas.”)

Porra – Palavra mais comum desse dicionário. Usada em milhares de casos, como mostrados. Porra pode ser usado até como vírgula. (“No churrasco porra você tem que ter carne porra e sal grosso também.”)

Porra, velho! – Pode crer!…

Porre – Chateação, saco. (“A festa tava um porre!”)

Porreta – Legal, gente fina, pode ser usado com ironia. (“Você é porreta, pega minhas coisas e nem me avisa!”)

Possa ser – Pode ser. (“Possa ser que eu vá.”)

Pra pirão – Pra valer.

Pregueiro – Que vive na prega, à toa, coçando o saco.

Presa – Barragem, represa.

Presilha – Alfinete.

Primo carnal – Primo de segundo grau, primo irmão.

Procurar conversa – Falar demais, ser inconviniente.

Pular de cabeça – Mergulhar de cabeça.

Punheta – Bolinho de tapioca tambem chamado de Bolinho de Estudante.

Puro – Sem acompanhamento. (“Hoje comi feijão puro.”)

Q-Boa – Qualquer tipo de água sanitária.

Quadrado – Cercado de bebê.

Qual é meu rei? – Qual é, cara?

Quando acaba – Além de tudo, além do mais, ainda por cima.(“…e quando acaba vem me pedir desculpas.”)

Quartinho – Banheiro.

Que hora é essa? – Que horas são?

Que miséria! – Desabafo, Engraçadinho!

Que nem eu – Como eu.

Que porra é essa? – Que é isso?

Que só a porra – Pra caramba. (“Essa sopa está quente que só a porra!”)

Quebrado – Cansado, estragado.

Quebrar – Dobrar a rua.

Queimado – Bala, doce.

Queimar – faltar ao trabalho.

Queixão – Cara de pau, entrão, bicão, pidão.

Queixar – Tentar namorar, cantar alguém, pedir alguma coisa na maior cara de pau.

Quenga – Mulher feia.

Quente-frio – Garrafa térmica.

Quentura – Calor.

Quesito – Pergunta, questão de uma prova escolar.

Rame-rame – Coisa comum, rotineira, repetitiva. (“Fica aí nesse rame-rame da porra!”)

Ranço – Implicância.

Rebocado – Com certeza. (“Tá rebocado que eu vou pra essa festa!”)

Receba! – Aprenda!, viu só? (“Vitória enfiou 2×0 no seu time. Receba!”)

Rechear (a carne) – Refogar a carne.

Rei – Cara.

Rei da cocada preta – Metido a besta.

Renca – Um monte. (“Tinha uma renca de gente no meu carro.”)

Repare – Olha só, veja aqui.

Retado – Muito bom, capaz, gente boa, invocado, puto da vida, bravo, interjeição de espanto (“Ô, retado!”)

Rodage – Estrada.

Rolete – pedaço de cana.

Romper o ano – Passar a entrada do ano novo.

Rótula – Rotatória, balão no trânsito.

Rumar – Jogar, lançar.

Rumbora? – Vamos nessa?

Sacrista – Sacana.

Sacudir (a poeira) – Limpar a casa, tirar a poeira dos móveis.

Saído – Aquele que gosta de aparecer.

Sair (bebida) – Servir bebida.

Sair na pipoca: quando o folião não tem bloco para sair no Carnaval.

Salitre – Maresia.

Saltar (do ônibus) – Descer do ônibus.

Sanitário – Banheiro.

Sapatona – Sapatão.

Sargaço – Alga marinha.

Se abrir – Se oferecer.

Se amostrar – Querer aparecer, ficar em destaque.

Se armar – Se dar bem, arranjar uma mulher.

Se arrombar – Se dar mal.

Se campar – Se dar mal.

Se lenhar – Se dar mal.

Se ligue! – Se oriente, se toque, preste atenção.

Se olhe! – Procure seu lugar, me respeite!

Se oriente! – Tome jeito!

Se picar – Se mandar, ir embora.

Se plante, bróder! – Fique na sua!.

Se saia, rapa! – Se toque, se mande.

Seco – Muito afim de fazer algo. (“Hoje estou seco por um baba.”)

Segurar no pé – Encher o saco, vigiar, tomar conta. (“Essa mulher vive segurando no meu pé.”)

Segurar vela – Diz-se de quem acompanha sozinho um casal de namorados.

Sem quê nem pra quê – Sem mais nem menos.

Seu bichinho – Seu fulano.

Sinal – Pinta no corpo.

Sinaleira – Semáforo, farol.

Socado – Cheio, entupido.

Socorro – Estepe de pneu.

Solto na buraqueira – livre, desimpedido.

Sombreiro – Sombrinha de praia.

Tá de calundu – Tá zangado, na bronca.

Tá ligado? – Entendeu?

Tá mangaba – Tá moleza.

Tá na jante (pneu) – Tá gasto, tá careca.

Tá na pindaíba – Tá sem grana, tá duro.

Tá rebocado! – Pode crer!

Tá sem um puto -Tá sem grana, duro.

Tá um baba – Tá moleza.

Tabaréu – Caipira.

Tabaroa – Mulher caipira.

Taboca – Tipo de biscoito oco e arredondado; porrada; vantagem.

Tábua – Assento do vaso.

Taco – pedaço.

Tanque – Caixa d’água.

Taquixeiro – Taxista.

Taquinho – Pedacinho.

Tcheca – Órgão reprodutor feminino.

Ter arte do cão – Ser pertubado, traquinas.

Tiquinho – Pouquinho. (“Deixe só um tiquinho pra mim.”)

Tirado – Metido.

Tirar do tempo – Desregular o motor do carro.

Tirar idéia – Tirar onda.

Tirar o corpo – Se mandar, dar o fora.

Tirar o pé de banda – Sair da jogada.

Tirar pergunta – Tirar satisfação.

Tô à toa – sem fazer nada.

Tô de maresia – Estou sem fazer nada, vagabundeando.

Tô pouco me lixando – Não quero nem saber.

Toba – Ânus.

Tolete – Peloto de cocô.

Tomar raiva – Ficar com raiva.

Tomar tenência na vida – Tomar jeito.

Tomou um chá de se pique – Retirar-se, ir embora.

Tomar uma – Beber. (bebida alcoólica)

Tope – Tamanho. (“Ele é de meu tope.”)

Topete – Ousadia, falta de respeito. (“Não tome topete comigo não, viu?”)

Torar – Arrebentar.

Transmissão – Registro hidráulico.

Trava na língua – Língua presa.

Treta / Treita – Malandragem, safadeza.

Tribufu – Negra feia.

Trocar idéias – Conversar.

Troncho – Desarrumado, torto, sem equilíbrio.

Truta – Mentira, sacanagem.

Uma hora dessa – Qualquer hora.

Umbora? – Vamos?

Vá pra porra! – Não encha o saco!

Vagal – Preguiçoso, vagabundo.

Vai desculpando – Desculpe-me.

Vambora / Vumbora – Vamos embora.

Vara – Baguete, pão mais comprido. (“Moço, me dê duas varas de pão salgado”).

Varapau – Sujeito alto e magro.

Vate catar! – Vá encher o saco de outro!

Ver miguel – Ir no banheiro.

Virado na porra – Muito puto da vida.

Virado no cão – Muito puto da vida.

Vixe Maria! – Virgem Maria!

Vixe!: Virgem Maria!

Xaréu – Pessoal que entra no estádio de graça no final do jogo, quando abrem-se os portões.

Xereca – Órgão genital feminino.

Xôxa – Sem graça, insípida.

Xurumela – Papo-furado, história mal contada.

Zarolho – Caolho.

Zerinho ou um / Zero ou um – Jogo tipo par ou ímpar.

Zorra – Bagunça. (” Que zorra é essa?).

Zuada – Barulho.

Zunhada – Arranhar com as unhas, unhadas.

Leia também:

Referência:

  • Nivaldo, Loriú. Dicionário de Baianês. Edição revista.

4 comentários em “Falando o Baianês”

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